Atividade da indústria tem alta de 1,6% em fevereiro

Pelo quarto mês consecutivo, o Indicador do Nível de Atividade (INA) da indústria paulista, calculado em conjunto pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), subiu. Em fevereiro, na comparação com janeiro, a alta foi de 1,6%, com ajuste sazonal (levando em conta os efeitos temporais desta época do ano). Na série sem ajuste, a alta foi de 1,1% no mesmo período.A atividade subiu 8,8% em fevereiro, na comparação com o mesmo mês de 2005. No acumulado do primeiro bimestre, a alta foi de 8,1% ante os dois primeiros meses do ano passado. Vale lembrar que, em 2005, o INA apresentou incremento de apenas 1,8%.Os números acumulados levaram o diretor do Departamento de Pesquisas Econômicas da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Francini, a estimar um crescimento acima de 6% para atividade industrial paulista neste ano. "De fato, podemos estar assistindo a uma recuperação da atividade", completou o diretor do Departamento de Economia do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Boris Tabacof. O empresário enumerou os fatores que estão por trás da retomada: primeiro, uma recuperação do mercado interno, que tem compensado o desempenho mais fraco das exportações, provocada por um aumento da renda - os salários reais na indústria paulista subiram 13% em fevereiro de 2006 contra o mesmo mês de 2005, por exemplo, gerando um aumento de consumo que ajudou a puxar em 21,3% as vendas reais na mesma base de comparação. Vale lembrar que as datas-base da indústria paulista se concentram nos últimos meses de cada ano, o que justifica o incremento da renda em fevereiro. "A maioria das indústria reajustou acima da inflação", destacou Francini.No mês passado, as vendas reais da indústria paulista aumentaram 0,4% sobre janeiro, mas, na comparação com fevereiro de 2005, a alta foi de 21,3%. Em todo o ano passado, as vendas da indústria paulista subiram 13,1%.Emprego industrialTabacof citou também como fatores positivos o "ainda discreto, mas importante" aumento do emprego industrial (0,27% ante fevereiro do ano passado) e o incremento dos gastos públicos neste ano, elevando os investimentos. Segundo números mencionados pelo empresário, o superávit fiscal do governo federal caiu para 2,46% do Produto Interno Bruto (PIB), no primeiro bimestre de 2006, ante 5,28% no mesmo período do ano passado. O número está bem abaixo da meta para o ano, de 4,25%.A queda da taxa básica de juros (Selic, atualmente em 16,5% ao ano) ainda não se refletiu no crédito. Mesmo assim, continuou Tabacof, é inegável que seu efeito sobre o consumo está longe de dar sinais de esgotamento.Capacidade InstaladaApesar dos números positivos, incluindo o aumento para 78,1% no Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) ante 77,3% em janeiro, os empresários fazem questão de ressaltar que não há qualquer sinal de aquecimento na produção. "O Nuci ainda está abaixo do nível de fevereiro do ao passado (79,3%) e não representa qualquer risco para a inflação", disse Tabacof.DestaqueO setor de maior destaque na pesquisa mensal de conjuntura Fiesp/Ciesp foi o de alimentos e bebidas. O INA setorial subiu 10,2% com ajuste sazonal ante janeiro e 13% na série sem ajuste. Na comparação com fevereiro do ano passado, o incremento foi de 18,2%. "Trata-se de uma aposta para o futuro", explicou o economista-chefe do Ciesp, Carlos Cavalcanti, referindo-se à Páscoa e à antecipação da safra de cana.Na ponta negativa, o destaque foi o setor têxtil, que recuou 0,5% no indicador com ajuste sazonal e 0,2% sem ajuste, sobre janeiro.Na série sem ajuste, o INA total subiu 2,8% em novembro, 2,3% em dezembro, 1,8% em janeiro de 2006 e 1,6% em fevereiro (sempre em relação ao mês anterior). Sem ajuste, os números foram, respectivamente, 0,3%,-5%, -1,7% e 1,1%.Este texto foi atualizado às 15h11.

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