Atividade econômica avança 1% no terceiro trimestre, diz Serasa

Economista adverte que início de retomada pode virar um 'voo de galinha' se investimento não acompanhar consumo

MARCELO REHDER, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2012 | 02h09

O Indicador Serasa Experian de Atividade Econômica, também conhecido como PIB (Produto Interno Bruto) mensal, cresceu 0,2% em setembro, na comparação com agosto, já descontadas as influências sazonais. Com isso, o indicador acumulou expansão de 1% no terceiro trimestre de 2012, frente o trimestre anterior.

"O nosso dado mostrou, e o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) vai confirmar na sexta-feira, que tivemos um terceiro trimestre de início de recuperação mais forte", disse o economista da Serasa Luiz Rabi. "Ainda é uma retomada meio capenga, porque a gente não vê o investimento reagindo, só o consumo", acrescentou.

De acordo com o IBGE, o PIB brasileiro cresceu só 0,1% no primeiro trimestre e 0,4%, no segundo. Se confirmar a estimativa da Serasa, de 1% de crescimento no terceiro trimestre, o PIB acumularia expansão também de 1% no ano.

Para Rabi, o problema é que o pouco dinamismo da economia brasileira até agora vem apenas dos serviços e mesmo assim, de forma muito lenta. O setor acumulou crescimento de 2% em nove meses de 2012. No entanto, a agropecuária e a indústria acumularam quedas de 1,9% e 0,8%, pela ordem.

Pelo lado da demanda, o consumo do governo, com crescimento acumulado de 4,1% em nove meses, e o consumo das famílias, com alta de 3,2% para o mesmo período, têm sustentado a atividade econômica até agora. Já os investimentos (formação bruta de capital fixo) acumulam uma retração de 4,4% em três trimestres do ano.

"No curto prazo, o consumo consegue manter certa dinâmica de crescimento. Mas se o investimento não reagir no quarto trimestre ou no início do ano que vem, isso aí (a recuperação no terceiro trimestre) vai acabar virando voo de galinha", afirma Rabi. Ele lembra que, sem investimento, chegará uma hora em que a oferta não acompanhará o crescimento da demanda, pressionando a inflação. "O que manda no crescimento da oferta é produtividade e investimento", frisa. "A grande incógnita é se esse início de recuperação vai ter folego para gerar ou não um 2013 próximo dos 4% de crescimento como quer o governo."

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