Atividades ilegais ajudam PIB italiano

Atividades ilegais ajudam PIB italiano

Revisão considera receita proveniente do tráfico e da prostituição

, O Estado de S. Paulo

15 de outubro de 2014 | 22h11


A Itália revisou para cima seu Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre de 2014 ontem para mostrar estagnação, indicando que a terceira maior economia da zona do euro não está tecnicamente em recessão.

A agência nacional de estatísticas Istat havia divulgado anteriormente queda de 0,1% do PIB no primeiro trimestre em relação ao período anterior, e recuo de 0,2% no segundo trimestre, resultado que não foi revisado. Dois trimestres consecutivos de contração são considerados como recessão técnica.

A revisão deveu-se a mudanças metodológicas adotadas na União Europeia que devem elevar o PIB deste ano, dando ao governo do primeiro-ministro Matteo Renzi mais espaço para manter o déficit abaixo do limite da UE de 3%

O novo sistema, conhecido como SEC 2010 (Sistema Europeu de Contas), muda a maneira como os gastos com pesquisa e armamentos são classificados nos cálculos do PIB, e também inclui receita de atividades ilegais relacionadas a tráfico de drogas e prostituição. 

Para justificar o cálculo dos frutos do narcotráfico, o sistema estabelece que as “ações econômicas ilegais serão consideradas como transações quando todas as partes envolvidas participem por acordo mútuo”.

A mudança na metodologia foi anunciada em maio deste ano pelo primeiro-ministro e está em linha com as regras da UE.

Confiança. Em agosto, quando foi anunciado o número do segundo trimestre, em entrevista a um jornal, o ministro da Economia, Pier Carlo Padoan, afirmou que, apesar de indicações de que o crescimento ficaria aquém das projeções, a Itália não precisaria de um orçamento emergencial. 

Repetindo garantias anteriores, Padoan afirmou, à época, ao jornal Il Sole 24 Ore, que a Itália divulgaria um déficit orçamentário dentro do teto da União Europeia. As projeções oficiais do governo para 2014 são de crescimento de 0,8% e déficit de 2,6% PIB, mas tanto Padoan quanto o primeiro-ministro Matteo Renzi disseram que as condições ficaram piores do que o esperado. Isso acabou alimentando crescentes especulações de que medidas extras poderiam ser necessárias para atender às metas orçamentárias da UE. 

Renzi, que assumiu o governo em fevereiro, substituindo Enrico Letta por sua falta de ação ante a crise, está adotando reformas difíceis para sanar as contas do país, que podem travar o crescimento. Mas a Itália também está sendo afetada por “sua grande exposição” à Rússia - que enfrenta sanções do Ocidente pela crise na Ucrânia - e ao Oriente Médio, que passa por grande instabilidade. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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