Ativista brasileira presa em Cingapura será expulsa do país

A brasileira Maria Clara Soares, da ONG ActionAid Américas, que foi impedida pelas autoridades de imigração cingapurense de entrar no país asiático, tem o seu embarque de volta ao Brasil, com escala em Paris, previsto para as 12h20 desta sexta-feira (horário de Brasília). Desde seu desembarque na quinta-feira, ela tem sido mantida incomunicável na sala do aeroporto de Cingapura.Maria Clara passou toda a noite vigiada por um policial. Apenas a primeira secretária da embaixada brasileira, Tatiana Rosito, após muita insistência junto às autoridades cingalesas, conseguiu conversar nesta sexta-feira durante cerca de trinta minutos com Maria Clara. "Ela está muito cansada e revoltada pois não sabe porque foi barrada", afirmou a diplomata. O Itamaraty ainda está avaliando se tomará alguma medida oficial em relação ao caso.A imigração cingalesa não ofereceu explicações sobre os motivos que causaram a proibição da entrada do país da brasileira, que pretendia participar até o dia 17 próximo dos eventos da reunião do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial que serão promovidos por ONGs e outras entidades da sociedade civil na ilha de Batam, na Indonésia, que fica muito próxima de Cingapura.No início desta semana, o governo cingalês havia anunciado que não permitiria a entrada no país de 28 ativistas estrangeiros que poderiam "causar distúrbios" durante a reunião do FMI. Os nomes da lista não foram divulgados.Iara Pietricovsky, também brasileira, do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) e da Rede Brasileira pela Integração dos Povos (Rebrip), conseguiu ser liberada na quinta-feira, após ser impedida por algumas horas de entrar no país. Ela tinha um convite do Banco Mundial para participar dos eventos oficiais e viajou em seguida para Batam.Sem VozDiretores do Fundo e do Banco Mundial concordaram com as restrições impostas pelas autoridades cingalesas aos integrantes de entidades da sociedade civil. Manifestações em logradouros públicos foram proibidas durante as reuniões.Um minúsculo espaço dentro do centro de convenções Suntec, sede da reunião do Fundo, foi reservado pela polícia cingalesa para manifestações "autorizadas". Um grupo de doze manifestantes, trajando mordaças com a expressão "no voice" (sem voz) se espremeram nesta sexta-feira no local, cercados por dezenas de jornalistas.Bishop Akolgo, ganês que participava das manifestações no local, criticou o Fundo e o Banco Mundial. "Como eles pode falar em transparência, governabilidade, num clima de repressão como esse", criticou.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.