Ativistas promovem primeiro protesto contra OMC em Hong Kong

Entre 3 mil e 4 mil pessoas se reuniram neste domingo numa manifestação pacífica que ocupou as ruas de Hong Kong em protesto contra a política comercial global, a dois dias do início da reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC).A marcha, que percorreu o Parque Vitória e as sedes sociais do Governo de Hong Kong, serviu como aquecimento para a manifestação da próxima terça-feira, que coincidirá com o início das negociações, como afirmaram hoje à EFE fontes da Aliança Popular de Hong Kong contra a OMC.Antes da manifestação, que começou às 16h (6h de Brasília) e na qual os organizadores esperavam cerca de 10 mil pessoas, todos os grupos antiglobalização realizaram uma assembléia para coordenar as posturas a serem adotadas.No Parque Vitória, os manifestantes, alguns dos quais fantasiados de frangos, começaram o dia com uma entrevista coletiva contra as negociações. Assim, a linha oficial definida para os grupos antiglobalização é a seguinte: "não" a nenhum tipo de acordo."Não estamos dispostos a aceitar nenhum tipo de acordo", afirmou Elizabeth Tang, presidente da Aliança Popular de Hong Kong contra a OMC, uma organização local que há meses tenta coordenar os esforços das ONGS de todo o mundo. ONGs prepararam três grandes manifestações, a primeira delas hojePosições divididasA apenas dois dias do início das negociações, os manifestantes se encontram muito divididos. Há, por um lado, as forças locais, que conseguiram o respeito do Governo de Hong Kong, que, inclusive, lhes deu permissão para ocupar o Parque Vitória.Por outro, existem os grupos antiglobalização mais violentos, geralmente provenientes dos Estados Unidos, da Coréia do Sul ou da América Latina, "cuja única agenda é impedir o bom desenvolvimento das negociações", segundo fontes policiais.Esses grupos enviaram ontem uma carta a vários jornais chineses em que avisam que Hong Kong ganhará "um presente de Natal do qual não se esquecerá" caso seja alcançado algum tipo de acordo."Não estou preocupada com possíveis atos de violência que possam colocar nossas posturas em evidência", afirmou Tang. Mas a verdade é que seu grupo criou sua própria equipe de segurança para separar, caso necessário, os ativistas pacíficos dos violentos.Motivos para a manifestaçãoOs manifestantes, em geral, protestam contra a OMC e pedem o fim de qualquer tipo de discussão sobre assuntos como a água ou a educação. Existe uma grande preocupação na China acerca do impacto que sua entrada na OMC pode ter nas classes mais desfavorecidas do país.Para se fazerem ouvir, as ONGs prepararam três grandes manifestações, a primeira delas hoje. O segundo grande evento ocorrerá terça-feira, quando representantes de cerca de 130 países se reunirão no Centro de Convenções de Hong Kong para dar início à reunião. O último grande protesto começará às 14h (4h de Brasília) do próximo domingo, dia 18 de dezembro, quando já será conhecido o resultado da reunião.SegurançaPor via das dúvidas, a Polícia de Hong Kong deixou a postos quase um agente por manifestante, além do Exército de Libertação Popular, que estará atento a qualquer manifestação estranha durante toda a semana. Hong Kong, uma cidade que se orgulha das benesses do livre comércio e que é considerada uma das mais seguras do mundo, não parece disposta a pôr sua estabilidade nas mãos de um grupo de ativistas sem controle.O chefe da Polícia local, Dick Lee, assegurou que "as manifestações pacíficas e legais serão autorizadas: "No entanto, não toleraremos nenhuma violência durante os protestos". Por isso, os serviços de imigração já começaram a impedir a entrada na cidade de elementos considerados desestabilizadores.

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