finanças

E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Ativos à venda abrem espaço para concorrência

Com a condenação do Cade ao cartel do cimento e a fusão entre Holcim e Lafarge, novos grupos podem entrar no mercado

Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2014 | 02h03

Grupos estrangeiros e empresas instaladas no Brasil que não estão envolvidas na condenação imposta pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômico no cartel do cimento são fortes candidatos a adquirir os ativos das fabricantes de cimento Holcim e Lafarge, apurou o Estado. Ambas se juntaram para criar uma gigante global do setor.

Na semana passada, o presidente da Holcim, Bernard Fontana, informou que as companhias receberam mais de 100 manifestações de fundos de private equity e cimenteiras com o interesse de comprar o portfólio de ativos das companhias no Brasil, Áustria, Hungria, Romênia, Sérvia, Grã-Bretanha, Filipinas e Ilhas Maurício.

A Lafarge anunciou, na semana passada, que vendeu uma fábrica no Paquistão, por US$ 329 milhões. Mas esse negócio está fora dos países onde a companhia tem de se desfazer de ativos.

Segundo fontes ouvidas pelo Estado, a empresa mexicana Cemex e a indiana Aditya Birla, que tem atuação no Brasil na área de alumínio, têm forte interesse de entrar no mercado brasileiro de cimento. Procuradas, as companhias não retornaram os pedidos de entrevista. A CSN também foi apontada como uma das companhias nacionais que poderiam aumentar sua participação no mercado brasileiro por meio de aquisições. Procurada pela reportagem, a companhia não comentou o assunto.

"A Cemex já demonstrou interesse de entrar no mercado brasileiro. A questão é se a companhia, que está alavancada, tem condições de fazer aquisições", disse uma fonte. A companhia mexicana, uma das maiores cimenteiras do mundo, divulgou no dia 18 seu primeiro lucro trimestral desde a crise financeira de 2009. O bom resultado refletiu receita obtida com venda de ativos e ganhos com instrumentos financeiros.

A companhia encerrou o segundo trimestre com lucro líquido de US$ 76 milhões, enquanto o mercado projetava prejuízo de US$ 79 milhões. A receita líquida da companhia totalizou US$ 4,2 bilhões - avanço de 4%, puxado por preços mais altos e uma retomada nos volumes de vendas nos Estados Unidos, no Mediterrâneo, nas Américas Central e do Sul, e no Caribe e na Ásia. Já o grupo indiano, com faturamento global de cerca de US$ 40 bilhões, atua em metais e fertilizantes e é uma das maiores produtoras mundiais de cimento.

Concentração. Segundo fontes, a decisão do Cade imposta às cimenteiras tem como objetivo abrir esse setor para novos grupos, reduzindo a concentração das gigantes que atuam no País. A Votorantim tem participação de 37% no mercado brasileiro e a InterCement, de 18%.

Dados do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (Snic) mostram que, em 2006, atuavam no Brasil 12 grupos. Entre 2006 e 2013, outros seis grupos entraram no mercado. Até o ano passado, a expectativa para os próximos cinco anos era de que outras nove companhias entrariam no mercado brasileiro. A estimativa foi feita antes da decisão do Cade e do anúncio da fusão entre Holcim e Lafarge.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.