PANTELIS SAITAS/EFE
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Ativos gregos derretem, mas contágio é limitado

Temor do mercado não se concretiza com a expectativa de que Tsipras adote uma linha que já está sendo chamada de ‘guinada ao estilo Lula’

Fernando Nakagawa, O Estado de S. Paulo

28 de janeiro de 2015 | 21h03

LONDRES - Bastaram poucas horas para que o novo governo grego começasse a executar promessas eleitorais. O desejo de renegociar a dívida e a suspensão das privatizações já foram anunciados pela equipe do primeiro-ministro Alexis Tsipras. Em Atenas, os mercados derretem. O contágio para o restante da Europa, porém, é discreto.

Analistas dizem que há esperança de que o pior cenário - que contempla a saída da Grécia da zona do euro - ainda pode ser evitado. Há expectativa de que Tsipras adote uma linha de esquerda pragmática, o que já vem sendo chamado de “uma guinada ao estilo Lula”.

Durante a campanha eleitoral, o temor da saída da Grécia da zona do euro renasceu rapidamente assim que as primeiras pesquisas passaram a mostrar liderança do grupo radical de esquerda Syriza. Com discursos inflamados contra as políticas austeras defendidas por Bruxelas e Berlim, o partido de Alexis Tsipras ganhou o apoio da população grega que sofre com anos de crise e que culminaram na contração da economia, aumento do desemprego e corte de benefícios sociais.

Coalizão. As primeiras horas do governo, porém, não trouxeram nenhum movimento drástico e inesperado - pelo menos por enquanto. Tsipras disse que não é antieuropeu e não pretende deixar o euro. Após uma rara coalizão com um grupo independente de extrema-direita, os discursos do esquerdista radical Tsipras e do ministro de Finanças, Yanis Varoufakis, reafirmaram o desejo de renegociar a dívida e ainda sinalizam a intenção de formar um grupo com alguns sócios europeus para defender uma nova estratégia europeia de crescimento

Para esse esforço, Varoufakis quer atrair países como Espanha, Irlanda e Itália. Ou seja, nada de “Grexit” - termo em inglês que junta “Greece” e “exit” (saída, em português).

Os movimentos anunciados já haviam sido de uma maneira ou de outra antecipados pelo mercado, diz o estrategista do Deutsche Bank, Sebastian Barker. “Dada a reação vista até agora, os mercados já estavam precificando que o novo governo tentaria um acordo com a troica (União Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional)”, diz Barker em análise aos clientes. “O risco de acidente de percurso e um ‘Grexit’ ainda é real. Eu diria que está em 35%. Ainda é um risco sério, mas está bem abaixo da média”, diz o economista-chefe do banco alemão Berenberg, Holger Schmieding. Em 2012, a chance de Grexit rondava 70%.

Estilo Lula. Após a inusitada aliança com a direita, alguns analistas exaltam o lado pragmático do político grego e não descartam que o novo governo poderia optar por uma estratégia intermediária entre o calor eleitoral da campanha e o frio desejo austero de Bruxelas. “Minha melhor aposta é que, diante da realidade, o primeiro-ministro Tsipras cairá na real. Uma Europa paciente poderia oferecer concessões e, como um negociador hábil e consciente de seu poder, Tsipras poderia dar uma guinada ao estilo de Lula em vez de entrar para os livros de história por ter quebrado o país”, diz Holger Schmieding.

Se a saída não for pragmática, Tsipras poderia optar por uma saída que curiosamente também tem como referência outros sul-americanos: seria um governo à moda Hugo Chávez ou Cristina Kirchner, dizem analistas. Nesse caso, os mercados precisariam de uma nova - e nada desprezível - correção. 

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