Paulinho da Força ameaça nova greve contra reformas

coluna

Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

Paulinho da Força ameaça nova greve contra reformas

Em evento no Dia do Trabalho, deputado disse que central quer negociar volta da contribuição sindical

Luciana Dyniewicz, O Estado de S.Paulo

01 de maio de 2017 | 11h02

SÃO PAULO - Com o impulso da greve, na última sexta-feira, 28, a Força Sindical realiza na manhã desta segunda-feira, 1º, seu evento do Dia do Trabalho. Com forte de discurso contra as reformas da Previdência e trabalhista defendidas pelo governo Michel Temer, o ato reúne 150 mil pessoas, segundo a organização, na Praça Campo de Bagatelle, na zona norte de São Paulo.

O presidente da Força Sindical e deputado federal Paulo Pereira da Silva (Solidariedade-SP), o Paulinho da Força, afirmou que outra greve poderá ser organizada se Temer não negociar alterações nas reformas trabalhista e previdenciária. De acordo com ele, a conta da crise tem que "ser paga por todos, não só pelos trabalhadores".

A Força Sindical é contrária, principalmente, ao fim da contribuição sindical e à nova idade mínima para aposentadoria. "Na (reforma) trabalhista, queremos discutir principalmente a contribuição sindical, que enfraquece o lado dos trabalhadores e permanece intacto o lado patronal", disse a jornalistas no início das comemorações do Dia do Trabalhador em São Paulo. "O presidente não pode imaginar que é o dono do Brasil. Ele tem que ouvir a população: 71% não concordam com as reformas", acrescentou, citando dado da pesquisa Datafolha divulgada nesta segunda

"Espero que governo tope negociar para fazer uma reforma civilizada e para que as pessoas possam entender que foi feita uma reforma para salvar do buraco em que o governo do PT nos deixou. Acho que ele (Temer) ouviu (as reivindicações da população na greve geral). Ele está só fazendo de conta (que não)", afirmou. Na sexta-feira, o presidente divulgou uma nota em que não mencionava a greve, apenas criticava 'atos isolados de violência'.

Em vídeo divulgado nas redes sociais nesta segunda-feira, o presidente Michel Temer defendeu as mudanças na lei trabalhista, dizendo que a reforma marca um "momento histórico". "A nova lei garante os direitos não só para os empregos diretos, mas também para os temporários e terceirizados. Todos com carteira assinada. Portanto, concede direitos àqueles trabalhadores que antes não tinham. Empresários e trabalhadores poderão negociar acordos coletivos de maneira livre e soberana. O diálogo é a palavra de ordem", afirmou.

Delações. Paulinho da Força também negou que o patrocínio da Odebrecht às celebrações da data em anos anteriores se tratasse de propina. "A Odebrecht patrocinou como qualquer outra empresa que patrocina aqui e quer expor sua marca." Neste ano, a empreiteira não participa do evento.

O deputado e sindicalista também negou ter recebido dinheiro da empreiteira para acabar com greves, como citado nas delações dos executivos da empresa. "Eu sou negociador. É minha função acabar com greves." 

A Hyundai, por exemplo, é uma das incentivadores da festa. A montadora doou 25 carros que deverão ser sorteados ao público – 19 em São Paulo e o restante em outros Estados. De acordo com Paulinho da Força, o evento custa entre R$ 2,5 milhões e R$ 3 milhões e é bancado por patrocínios. Neste ano, a Caixa Econômica, a Nestlé, a Sabesp e os governos estadual e federal são apoiadores da celebração. 

Prefeito de São Paulo. Além do presidente Michel Temer e das reformas trabalhista e previdenciária, o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), está entre os principais alvos das críticas dos dirigentes da Força Sindical. "Na hora de pedir voto, nós não fomos vagabundos. Nos respeite. Lave a boca para falar de nós", disse a presidente do Sindicato das Costureiras de São Paulo, Eunice Cabral, em referência à fala do tucano na última sexta-feira, 28. Durante a greve geral, o prefeito afirmou chamou os trabalhadores que aderiram à paralisação de "vagabundos" e "preguiçosos".

O deputado Ramalho da Construção (PSDB) destacou que, apesar de ser do mesmo partido de Doria, não concorda com a posição  do prefeito. "Prefeito que ajudei a eleger. Ele, no mínimo, deve pedir desculpas por chamar eleitores de vagabundos e por ter jogado na rua as flores que recebeu ontem. Para quem prega Cidade Linda, você está enganado." Neste domingo, Doria jogou pela janela do carro as flores que recebeu de uma ativista contrária ao aumento da velocidade nas marginais e à redução das ciclovias.

Shows. O evento da Força Sindical terá apresentações de cantores como Michel Teló e Zezé Di Camargo & Luciano e sorteio de 19 carros oferecidos pela montadora Hyundai.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.