Coluna

Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

Atrair investimentos exige um ambiente melhor, diz Wolfowitz

O Brasil precisa criar "com urgência" um melhor ambiente de negócios se quiser atrair investimentos estrangeiros e crescer a taxas mais elevadas. A avaliação é do presidente do Banco Mundial, Paul Wolfowitz. Em entrevista ao Estado, o ex-número 2 do Pentágono, criticou ainda o tamanho do déficit público no País e alertou: um clima permeado por escândalos de corrupção também pode afugentar investidores. "Em minha opinião, no curto e médio prazo, o que o Brasil e seus governantes precisam fazer com urgência é criar um melhor ambiente para os negócios no País, por exemplo, com leis mais propícias que facilitem o setor privado a operar", afirmou Wolfowitz. Na segunda-feira, a ONU publicou seu relatório anual em que mostra que, enquanto os investimentos no mundo crescem em 29%, o fluxo ao Brasil cai em 17% e alerta que a tendência negativa deve continuar em 2006. Para Wolfowitz, porém, outro desafio imediato do Brasil é "lidar com seu déficit público". Segundo ele, a solução não pode ser maiores taxas sobre as empresas. "Resolver esse problema não será fácil. Mas acredito que tenha uma relação direta com o tamanho da burocracia estatal", afirmou. O americano ainda apresentou suas sugestões para que o Brasil retome seu crescimento no longo prazo. "A questão central será lidar com as desigualdades", afirmou. "Quando uma criança brasileira não tem boa saúde ou educação, o País é quem paga o preço disso por toda sua vida. Se essa criança tiver acesso à saúde e educação, porém, o Brasil terá uma mão-de-obra produtiva, o que fará com que o Brasil cresça de forma bem mais rápida no futuro", afirmou. Defensor de um luta contra a corrupção como forma de garantir que o dinheiro enviado aos países pobres seja utilizado para o desenvolvimento, Wolfowitz preferiu não entrar em detalhes sobre os escândalos de corrupção envolvendo o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Mas não deixou de alertar que se trata de um "problema estratégico". "Os países quem têm práticas claras e honestas incentivam investimentos estrangeiros. Se investidores não têm certeza de que as leis serão seguidas de forma justa, tendem simplesmente a levar o seu dinheiro para algum lugar mais seguro", afirmou. Nesta terça-feira, em Genebra, Wolfowitz discursou para deputados de todo o mundo na União Parlamentar Internacional e alertou que a corrupção ameaça o esforço de combate à pobreza. "Cada dólar desviado pela corrupção é um dólar que não vai à criação de emprego, de saúde e de outros serviços essenciais aos pobres", afirmou.Para o americano, não há como destinar recursos internacionais para ajudar no combate à pobreza se governos não forem transparentes. "A corrupção é uma doença que viaja no escuro. Transparência e participação são os antídotos mais fortes contra a corrupção. Promovê-las também é combater a pobreza em um país", afirmou Wolfowitz, que acredita ainda que o Poder Legislativo pode ser central no papel de fiscalizar governos.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.