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Atrasar embarque pode ajudar a reduzir prejuízo de importador

Comerciantes fazem de tudo para ganhar tempo, na expectativa de que o câmbio recue depois das eleições e o custo caia

Marcia de Chiara, O Estado de S. Paulo

15 Setembro 2018 | 15h49

Importadoras que mantiveram os volumes de encomendas de final de ano tentam ganhar tempo para reverter as pressões de alta no câmbio. Uma das estratégias tem sido adiar os embarques no exterior, na expectativa de que o dólar dê uma trégua após o resultado das eleições.

Ciro Lilla, presidente das importadoras de vinhos Mistral e Vinci, que trazem 3 mil rótulos de 15 países, conta que, quando a cotação do dólar beirou R$ 4, o grupo decidiu atrasar os embarques no exterior. “Atrasamos na expectativa de pegar um dólar menor na hora de nacionalizar o produto.” 

Com a disparada do câmbio, os importadores foram duplamente penalizados, explica o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro. Isso porque eles têm de desembolsar mais reais para trazer o produto de fora e gastam uma cifra maior para nacionalizá-lo.

Nacionalizar a importação significa pagar todos os impostos e as despesas e taxas com frete portuário. A conversão dessas despesas de dólares para reais é feita usando a cotação do câmbio do dia anterior à data do desembarque do produto no porto. Com isso, as despesas de nacionalização, que já são elevadas, acabam sendo maiores ainda quando o dólar sobe. 

Castro explica que a cifra gasta para nacionalizar um importado é o dobro do valor do produto em dólar, independentemente da taxa de câmbio. “O cenário para os importadores é muito ruim neste ano porque eles perdem sob o aspecto cambial e tributário”, disse Castro.

Há também importadoras que tentam ganhar tempo de outra maneira: renegociando os prazos de pagamento com os fornecedores no exterior. “Muitos tentaram renegociar principalmente prazos”, conta a presidente do Conselho Brasileiro das Empresas Comerciais Importadoras e Exportadoras, Rita Campagnoli.

Para Castro, da AEB, quem consegue renegociar contrato tem sorte. “Pode ser até que para preservar clientes, os fornecedores aceitem alguma coisa, mas isso é uma raridade”, diz.

Desconto. Na Mistral, onde o volume de vinhos importados está mantido, o presidente da importadora conta que tem conseguido pequenos descontos nas novas compras com alguns países. “Na compra, a gente chora e explica que é uma situação emergencial por conta das eleições.” Neste momento, a empresa decidiu não repassar a alta do câmbio para o preços porque não vê espaço para aumentos. Com isso, tem conseguido ampliar as vendas. 

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