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Atraso da Alca é bom para o Brasil, diz economista

O Brasil é um país em desenvolvimento e não dispõe ainda de condições favoráveis para negociar com os Estados Unidos os termos da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Essa é a opinião do economista Paulo Nogueira Batista Júnior, professor da FGV-SP, para quem, quanto mais atrasar os acordos para a implementação da entidade, melhor será para o País. Ele lembrou que a União Européia e o Japão não têm, e não pretendem ter, área de livre comércio com os Estados Unidos por não verem vantagens nisso. "No entanto, estes três grandes blocos econômicos são profundamente interligados do ponto de vista comercial", disse o economista, em entrevista ao programa Espaço Aberto, da Globo News.Para Nogueira Batista, se o Brasil não entrar na Alca isso não quer dizer que o País deixará de ter relações comerciais com os Estados Unidos. Ele considera que várias das questões que Washington opõe resistência para negociar no âmbito da Alca podem ser melhor enfrentadas e decididas no âmbito da Organização Mundial de Comércio (OMC), onde o Brasil poderia aliar-se a outras nações com problemas semelhantes aos seus. "É muito duvidoso, para dizer o mínimo, que interesse ao Brasil participar de uma área de livre comércio com os Estados Unidos com toda essa abrangência de temas, que envolvem na realidade um grande desalinhamento na política econômica brasileira." Ele considera que, até o momento, o governo americano não apresentou ofertas em áreas que lhe interessam internamente, como investimentos e serviços, contrariando o cronograma estabelecido no governo Fernando Henrique.Mudança políticaNogueira Batista acha que o governo Lula vem dando um enfoque mais apropriado à questão da Alca, mas sem hostilizar o governo Bush. Para ele, neste ponto, a diplomacia do Itamaraty mudou para melhor.

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