Atraso em pagamento leva CVM a investigar Bombril

A Bombril está novamente na mira da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Após receber uma multa de R$ 62,5 milhões em abril último, a companhia do empresário italiano Sérgio Cragnotti voltou a ser investigada pela autarquia, por causa de pagamento dos dividendos referentes ao exercício de 2000, já adiado três vezes.A CVM já pensa em abrir inquérito administrativo para apurar os constantes atrasos. "Só o fato de os dividendos terem sido postergados três vezes já merece uma análise", afirmou a superintendente de Relações com Empresas da autarquia, Elizabeth Lopez Rios Machado. Ela disse ainda que o órgão está reunindo provas e documentos para saber se há ou não a necessidade de se instaurar um inquérito.Primeiro, a Bombril informou o mercado que pagaria os dividendos de 2000 em 25 de abril deste ano - no valor de R$ 0,30 por lote de mil ações preferenciais, sem direito a voto. O pagamento foi postergado para 15 de maio, depois para 17 de junho e, mais uma vez, para 21 de agosto. Todas as vezes, a empresa anunciou os adiamentos no último dia útil anterior à data prevista para os depósitos.Mesmo com os dividendos de 2000 ainda pendentes, a Bombril anunciou, em meados do mês passado, um novo pagamento de proventos, desta vez relativos a 2001, apesar de ter registrado prejuízo no período. Na época, o diretor de Relações com Investidores da Bombril, Joalmir Alves, disse que a empresa faria o pagamento, no total de R$ 6,8 milhões, porque tinha lucros acumulados suficientes para bancar os planos de crescimento. Os acionistas deveriam ter recebido os rendimentos na terça-feira, o que não aconteceu. O responsável pela assessoria de imprensa da Bombril, Mário de Fiori, disse que os recursos foram distribuídos ontem.Esse é mais um item na longa lista de reclamações que os minoritários da empresa já encaminharam ao órgão regular nos últimos anos. Em abril, a CVM, além de multar o empresário Sérgio Cragnotti, o proibiu de administrar qualquer companhia por um prazo de cinco anos. A multa foi três vezes superior à paga em 1994 pelo investidor Naji Nahas, culpado por crime de manipulação na Bolsa de valores do Rio de Janeiro (BVRJ). A CVM julgou que houve abuso de poder do controlador, que fez operações irregulares de compra e venda entre as companhias do grupo.

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