André Borges/Estadão
André Borges/Estadão

Atraso frustrou projetos previstos para a região​

Obras que estavam previstas para serem erguidas nos 23 municípios cortados pelo traçado concedido foram abandonadas

André Borges, enviado especial a Uruaçu (GO) e Gurupi (TO), O Estado de S.Paulo

16 Setembro 2017 | 17h08

A frustração com o fim da concessão da BR-153 e com a falta da duplicação da rodovia deixou um legado de projetos na gaveta, obras que estavam previstas para serem erguidas nos 23 municípios cortados pelo traçado concedido. Nessa costa estão empreendimentos do empresário Marcelo Dominici, que atua no ramo de transporte e veterinária em Gurupi.

“Temos situações que inibem a gente de investir. Quando saiu a obra que previa a duplicação, a gente começou a fazer alguns ensaios para aumentar nossos negócios, o transporte de grãos. Paralisamos esses projetos. Hoje nós temos uma BR-153 altamente depreciada, cheia de buracos, cheia de problemas, que ano atrai novos investimentos e atravanca o processo de evolução e desenvolvimento”, diz Dominici.

O agravante é saber que, na prática, essa situação não deve mudar tão cedo. “Essa frustração da concessão tem um gosto amargo. Serão mais dois anos até termos uma nova concessionária, além do tempo de contratações e obras. No fim das contas, vamos perder uma década do desenvolvimento possível para essa região”, diz Bruno Batista, diretor-executivo da CNT. “Estamos falando de uma rodovia que é fundamental, porque faz essa ligação Centro-Norte do País, mas é uma estrada dos anos 50, uma rodovia antiga que não foi modernizada e que tem condições físicas ruins.”

O atraso no projeto aflige municípios como Gurupi, cidade do Tocantins de 85 mil habitantes que também esperava a duplicação da rodovia e uma ligação da BR-153 até o pátio logístico da Ferrovia Norte-Sul, que também passa pela cidade. A duplicação e pátio estão no papel.

“É grande a frustração. São vidas que estão em jogo”, lamenta Gerson José de Oliveira, secretário de infraestrutura de Gurupi. “Além disso, muitos empregos deixaram de ser gerados, empresas ficaram paradas e profissionais foram demitidos. A cidade se mobilizou para que a concessão acontece da melhor forma possível, se motivou para a obra acontecer, se preparou, tinha profissionais e pessoas para trabalhar nessa duplicação, que não aconteceu.”

À espera de melhorias, a BR-153 caminha para a sua saturação. Em 2013, antes de a estrada ser concedida, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) chegou a projetar o cenário de fluxo de cargas previsto para a rodovia nos próximos anos. Os dados indicaram que, em 2020, a Belém-Brasília estará com boa parte de seu trecho de Goiânia completamente esgotado, ou seja, com movimentação muito superior à sua real capacidade. A crise econômica pode retardar esse cenário, mas não evitá-lo por muito tempo.

No fim de maio, a população do município goiano de Porangatu, indignada com a situação da estrada, resolveu bloquear a rodovia para reivindicar a duplicação e melhorias no trecho. A manifestação organizada pela Associação Comercial Industrial e Agropecuária de Porangatu (Aciap) reuniu centenas de manifestantes.

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