Atraso nas safras de Brasil e Índia puxa preço do açúcar

Cenário: Filipe Domingues

O Estado de S.Paulo

21 de julho de 2012 | 03h05

Os preços do açúcar saltaram ontem para os maiores níveis em 14 semanas na Bolsa de Nova York, diante dos atrasos na colheita e no processamento de cana no Brasil e na Índia, os dois maiores produtores da commodity. Os contratos com vencimento em outubro fecharam em alta de 2,88%, a 23,92 centavos de dólar por libra-peso. "O clima no Brasil melhorou depois de fortes chuvas recentes, mas os portos ainda registram atrasos nos embarques", disse à agência Dow Jones o vice-presidente da corretora Newedge, Mike McDougall, referindo-se à lentidão na exportação de açúcar. A demora desperta preocupações com a oferta no curto prazo. Segundo a agência marítima Williams Brazil, ontem havia 60 navios à espera nos terminais, para carregar quase 2 milhões de toneladas.

Na Índia, a lentidão se deve ao atraso nas chuvas de monções, essenciais para o desenvolvimento da cana. Importantes áreas produtoras não receberam umidade suficiente, de modo que autoridades do governo indiano estão avaliando as políticas de exportação para garantir a oferta doméstica. O país é também o principal consumidor de açúcar.

O dia ainda foi de ganhos expressivos para os grãos, que sobem por causa da estiagem nos Estados Unidos, a mais grave desde 1988. O milho subiu 2,22%, a soja avançou 2,06% e o trigo fechou em alta de 0,88%. O Rabobank alertou para a possibilidade de intervenções governamentais nos mercados fora dos Estados Unidos, com o objetivo de garantir o abastecimento e conter pressões inflacionárias.

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