Alex Silva/Estadão
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Atrasos de repasses para o MCMV deixam obras intermináveis e sob risco de invasão, diz empresário

Segundo construtoras, os repasses em atraso chegam a R$ 500 milhões, atingem 512 empresas e 200 mil funcionários, responsáveis pelo andamento de 900 empreendimentos

Murilo Rodrigues Alves, O Estado de S.Paulo

07 de agosto de 2019 | 11h48

BRASÍLIA - Os atrasos de R$ 500 milhões do governo federal às construtoras do Minha Casa Minha Vida (MCMV) inviabilizam as obras e favorecem a invasão dos empreendimentos, diz José Leandro Bretanha, dono da Construtora Hudson. "A obra está quase se tornando inviável e interminável porque o governo não paga", afirma. "O principal risco é de invasão."

Bretanha é responsável pela construção pela construção de 480 moradias em Itaquera, zona leste de São Paulo. A obra tem 100 trabalhadores. Hoje é dia do pagamento, mas o empresário afirma que não tem como pagar até o dia 10 (sábado). Só para esta obra, o atraso chega a R$ 800 mil, segundo Bretanha.

 

Nesta terça-feira, 7, o Estado revelou que o governo está com atrasos de dois meses no pagamento das obras do Minha Casa Minha Vida. De acordo com as construtoras, os desembolsos atrasados chegam a R$ 500 milhões. 

Segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), o atraso atinge 512 empresas e 200 mil funcionários, responsáveis pelas obras em andamento de 900 empreendimentos do programa de habitação popular. 

Em nota, o Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR) afirmou que,  "ciente do ritmo de execução do programa e do cenário macroeconômico do país", pediu ao Ministério da Economia e à Casa Civil que ampliem o limite financeiro para garantir os pagamentos do MCMV no segundo semestre. A solicitação foi feita em abril e reforçada em junho, segundo o ministério.

 

Para o mês de agosto, o MDR tem R$ 239 milhões, dos quais R$ 160 milhões vão para o Minha Casa. O valor é insuficiente para bancar as despesas com o programa, que giram em torno de R$ 300 a R$ 350 milhões por mês. 

Nesta terça, o governo mandou ao Congresso um projeto com pedido de crédito extra de R$ 3 bilhões. Segundo fontes do Palácio do Planalto, parte desses recursos deve ser direcionada ao programa de habitação popular.

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