Atrasos em shoppings adiam planos de varejistas

No primeiro semestre, redes como Riachuelo e Renner abriram menos lojas que o previsto por adiamentos em shoppings

CIRCE BONATELLI, VANESSA STECANELLA, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2012 | 03h09

As grandes varejistas podem ter de adiar para o próximo ano os planos de inaugurar lojas previstas para este ano, em função do atrasos na entrega de shoppings centers. Empresas como Riachuelo e Renner já enfrentaram esse tipo de problema este ano. As administradoras de shoppings garantem, porém, que os problemas são pequenos e não devem afetar todo o setor.

Executivos da Guararapes (Riachuelo) e da Renner afirmam que tiveram de adiar seus planos de abertura de lojas no primeiro semestre por causa do atraso de projetos de shoppings. A primeira previa a abertura de pelo menos cinco unidades, mas acabou inaugurando apenas três. Já a segunda inaugurou três lojas - duas Renner e uma Camicado - no primeiro trimestre, e outras cinco no segundo. A varejista preparava a inauguração de pelo menos oito unidades Renner entre abril e junho. Entretanto, apenas cinco foram abertas.

A Marisa, por sua vez, conseguiu abrir quatro lojas em shopping das cinco inauguradas no primeiro semestre, sendo que as aberturas foram concentradas entre abril e junho. A empresa tem previsão de abrir 33 unidades neste ano.

O diretor da Make it Work, consultoria de negócios em shoppings, Michel Cutait, avalia que os novos projetos não enfrentam problemas de grandes proporções e os atrasos estão sob controle, com lojistas previamente avisados durante a fase de obras. No mesmo sentido, o presidente da Multiplan, José Peres, conta que o setor nota alguns atrasos provocados pela dificuldade de encontrar mão de obra para construção e "comercialização abaixo do esperado".

O consultor acrescenta, entretanto, que dificilmente os shoppings são inaugurados na data informada no lançamento, pois são obras complexas, que enfrentam exigência de contrapartidas ambientais e viárias por parte do poder público. Além disso, os contratos têm cláusulas que preveem atrasos na entrega, desde que comunicada com três a seis meses de antecedência.

Contrapartidas. Entre as companhias de shopping, a Iguatemi teve o adiamento mais relevante nos últimos meses. O Shopping Iguatemi JK, na zona sul da capital paulista, estava previsto para abrir as portas no primeiro trimestre, mas só começou a funcionar em julho, por conta de dificuldades em atender as contrapartidas viárias exigidas pela prefeitura. "As exigências de obras viárias e compensações ambientais estão cada vez maiores", observou Cutait, ponderando, no entanto, que boa parte das contrapartidas são previsíveis e incorporadas ao cronograma das obras.

Ao longo do primeiro semestre de 2012 foram inaugurados 11 shoppings em todo o País, de acordo com dados da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce). Para o segundo semestre estão previstas mais 21 inaugurações, totalizando 32 no ano. Em 2013, são esperadas 45.

Mas vale observar que há um grande número de projetos em andamento, entre novos shoppings e expansões dos já existentes. Boa parte é feita por empresas de capital fechado e menor porte, que não divulgam seus números, dificultando o diagnóstico de atrasos generalizados no setor. Mesmo que os atrasos sejam pontuais entre as grandes empresas, a soma de todos os empreendimentos atrasados no País pode ter impactado o cronograma dos varejistas, que têm lojas espalhadas entre vários centros de compra.

Analistas contam que as varejistas dependem do calendário de inauguração dos shoppings para atender à demanda de final de ano, que deve garantir o esperado aquecimento da economia e ditar o tom do começo de 2013.

Segundo eles, o ideal é que as lojas sejam abertas ao público até o final de outubro para conseguir apresentar algum resultado. "Caso ultrapasse esse prazo, o ideal é deixar para o próximo ano. A lojas recém-inauguradas dependem de prazo para maturação", disse um consultor, que preferiu não ser identificado.

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