Atrasos facilitam desvios de recursos

CENÁRIO: Lu Aiko Otta

O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2014 | 02h03

A má qualidade dos projetos, que está na raiz de todos os atrasos das obras públicas em infraestrutura, tem um efeito colateral: facilita desvios de recursos. "As obras começam sem projeto executivo e com um projeto básico mal feito", descreve o professor Cláudio Frischtak, da consultoria Inter.B. Nessas condições, é quase certo que serão necessários ajustes nos planos e no orçamento. "Isso custa caro e dá margem à corrupção." Ele cita como exemplo a refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, atualmente no centro de uma investigação da Polícia Federal sobre desvio de recursos e lavagem de dinheiro.

Outro exemplo, não mencionado por Frischtak, foram as irregularidades que levaram a presidente Dilma Rousseff a promover uma faxina na cúpula da área de Transportes em 2011. Os inúmeros aditivos contratuais em rodovias e ferrovias eram usados para desviar dinheiro público. Em iniciativa semelhante à da CNI, Frischtak analisou o desempenho do governo federal nas obras públicas em sete projetos de logística. Concluiu que, com a demora, eles ficaram 44% mais caros, em média. O tempo gasto até a conclusão tem sido em torno de 80% maior que o previsto.

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