Atravessadores de remessas para AL ganham US$ 4 bi em 2002

As agências ou escritórios especializados que servem como ponte para a transferência de remessas de imigrantes latino-americanos que trabalham nos Estados Unidos, Europa e Japão conseguiram abocanhar no ano passado nada menos do que US$ 4 bilhões dos US$ 32 bilhões que essas pessoas enviaram para seus familiares em seus países de origem.De acordo com o Fundo Multilateral de Investimentos (Fomin, sigla em espanhol), divisão do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), esse montante praticamente "desapareceu" com custos de envio e com as transações de câmbio de moeda. "Os ganhadores desse lucrativo negócio são, hoje, as agências responsáveis por essas transações, as quais dividiram esse bolo de US$ 4 bilhões. Já os perdedores, os que trabalham para ganhar esse dinheiro, foram os receptores e as instituições financeiras da região que deixaram passar a oportunidade de intervir nesse mercado", afirma o Fomin.Em 2002, por exemplo, os recursos enviados por brasileiros que residem em países industrializados para o País somaram US$ 4,6 bilhões, cifra 10% maior à verificada em 2001. Já as remessas de imigrantes latino-americanos que trabalham nos Estados Unidos, Europa e Japão somaram US$ 32,044 bilhões, ou 17,6% a mais se comparado com o que foi enviado no ano anterior. Essa cifra supera qualquer tipo de ajuda externa que receberam a América Latina e o Caribe de organismos multilaterais de financiamento e ainda se aproximou dos investimentos externos diretos (IED), transformando-se em fonte fundamental de divisas para esses países.O Fomin sugere uma solução prática para evitar essa perda: o dinheiro plástico (cartões). "A solução está nas transações eletrônicas, nas contas bancárias, que barateiam os custos das remessas", alerta a divisão do BID. "Quem envia dinheiro pode administrar diretamente as suas finanças e selecionar o destino que quer dar a esses recursos", acrescenta o Fomin. De acordo com essa divisão do BID, os bancos, por exemplo, poderiam receber esses fundos, oferecer mais serviços e créditos aos seus clientes, estimular a poupança ou investir esses recursos no mercado internacional.Vale lembrar que a taxa de crescimento da remessa de recursos no ano passado praticamente duplicou em comparação à de 2001. No ano passado, a região recebeu cerca de 31% dos US$ 103 bilhões que foram remetidos no mundo todo por imigrantes de países em desenvolvimento para seus países de origem. Quase 78% das remessas que chegaram à América Latina e o Caribe vieram dos Estados Unidos. Outras grandes fontes de recursos foram o Japão, Espanha e Canadá.De acordo com cálculos do Fonim, se esse fluxo continuar crescendo a uma taxa média de 7% ao ano, a América Latina e o Caribe poderão receber US$ 400 bilhões em apenas uma década. O levantamento indica também que os custos totais das remessas desses fundos à região somaram aproximadamente US$ 4 bilhões, considerados os mais altos do mundo, devido à margem considerável nos países de onde foram enviados.Enviar dinheiro à América Latina e o Caribe ainda custa caro porque os bancos estão menos engajados nesse tipo de transações que em outras regiões do mundo. Até agora, a melhor forma encontrada pelos latino-americanos para enviar recursos aos seus países foi por meio de entidades especializadas em envio de recursos ao Exterior. Remessas à América Latina e o Caribe em 2002 País Cifra (em US$ bi) México 10,50 Brasil 4,60 Colômbia 2,43 El Salvador 2,21 República Dominicana 2,11 Guatemala 1,69 Equador 1,58 Jamaica  1,28 Peru 1,26 Cuba 1,14 Haiti 0,93 Honduras 0,77 Nicarágua 0,76 Venezuela 0,24 Argentina 0,18 Costa Rica 0,14 Guiana 0,12 Bolívia 0,10 Trinidad e Tobago 0,06

Agencia Estado,

26 de agosto de 2003 | 12h25

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.