Atropelos da visita de Morales causam embaraço ao Itamaraty

Os atrasos e atropelos na agenda do presidente da Bolívia, Evo Morales, em Brasília, criaram algumas situações embaraçosas para a diplomacia brasileira. Às 17h10, por exemplo, o próprio ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, informou à imprensa que Morales estava, naquele momento, despachando no gabinete dele, Amorim, no Palácio do Itamaraty, com assessores. O atraso da chegada de boa parte da delegação de Morales, por causa de uma tempestade, levou os dois presidentes a se reencontrarem no Palácio do Planalto, a partir das 18h30, para finalizar os acordos a serem assinados às 19h. Além do adiamento da assinatura dos acordos de cooperação, o presidente boliviano cancelou a visita que faria nesta tarde ao Congresso brasileiro, deixando os presidentes do Senado, senador Renan Calheiros (PMDB), e da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT) esperando na rampa do Legislativo.O fato provocou a reação do líder do PSDB no Senado, senador Arthur Virgílio (AM), que declarou solidariedade aos presidentes das duas Casas "por terem passado o vexame de esperar na rampa o presidente da Bolívia". "Ele deu bolo no Parlamento brasileiro, deu bolo nos presidentes das duas Casas. Considero que o Legislativo foi desrespeitado", afirmou Virgílio. "Visita negociadora"Sobre os acordos que serão assinados nesta quarta, Amorim reconheceu que "não é toda hora que uma visita de Estado se transforma em uma visita negociadora", mas conformou-se: "As coisas são como são."Em seu papel de chanceler, Amorim afirmou que é muito mais simples uma visita de Estado quando há relações maduras entre os dois países. "Nós temos uma relação que está-se fazendo, por conta do processo de transformação da Bolívia. É um relacionamento novo."Um repórter perguntou se a relação Brasil-Bolívia estava "gaseificada" - uma referência ao fato de ter-se tornado crucial, entre os dois países, a negociação sobre o preço do gás boliviano e sobre o seu fornecimento ao Brasil. Amorim respondeu: "Eu diria que está-se solidificando". O ministro afirmou também que nunca qualificou de "infantil" a atitude do governo boliviano de condicionar a realização da visita oficial de Morales à concordância do presidente Lula em negociar com ele o problema do aumento do preço do gás exportado pela Bolívia para o Brasil.O chanceler disse que o tema foi tratado entre os dois presidentes, mas de forma ampla, sem abordagem da questão do preço. Amorim disse também que há obrigações contratuais, de parte a parte - uma clara referência a questões como o preço e o fornecimento do gás.

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