Atuação do BC não segura alta e dólar fecha a R$ 2,236

Moeda, que chegou a subir 6,38%, desacelerou um pouco os ganhos no final, mas ainda teve alta de 5,62%

Silvana Rocha, da Agência Estado,

21 Outubro 2008 | 17h37

O Banco Central vendeu US$ 500,1 milhões em swap cambial e cerca de US$ 300 milhões em dois leilões de venda direta à tarde, mas não conseguiu conter o avanço da moeda no mercado. O dólar renovou as cotações máximas após cada uma dessas três atuações da autoridade monetária. No pico da sessão, após a terceira intervenção, o dólar saltou 6,38%, para R$ 2,252. No fechamento, a moeda desacelerou os ganhos e terminou o dia em alta de 5,62%, a R$ 2,236. Veja também:Consultor responde a dúvidas sobre crise  Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitosEspecialistas dão dicas de como agir no meio da crise A cronologia da crise financeira  Dicionário da crise   Segundo um operador, a forte demanda no câmbio doméstico refletiu em boa medida a cautela dos investidores com o cenário externo. Parte da pressão sobre o dólar à vista derivou ainda da necessidade de algumas instituições financeiras comprarem moeda à vista, num montante de pelo menos US$ 500 milhões, para devolverem ao BC na quinta-feira (23/10), quando será feita a liquidação do primeiro leilão de venda com recompra, feito em 19 de setembro. Por essas razões, afirmou a fonte, o dólar no mercado à vista iniciou a tarde ampliando os ganhos exibidos desde a abertura. No mercado de ações, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) oscilou durante todo o dia, alternando momentos de alta e baixa. Às 17h31, o principal índice caía 0,36%, aos 39.300 pontos.Prazo O Banco Central informou à tarde que aumentou o prazo para que bancos repassem dólares adquiridos nos leilões destinados ao financiamento do comércio exterior. Segundo o BC, o prazo limite para a entrega da moeda norte-americana às empresas que necessitam de crédito para essas operações foi triplicado, de 10 dias úteis para 30 dias úteis.  Até agora, O BC realizou apenas um leilão desse tipo, na segunda-feira, em que foram emprestados US$ 1,620 bilhão para quatro instituições financeiras, de uma oferta de até US$ 2 bilhões. A transação foi realizada mediante entrega de Global Bonds como garantia na proporção de 105% do valor tomado. Bancos que emprestaram o recurso terão de pagar taxa de 0,11% acima da Libor, cuja taxa considerada foi de 4,13%. Nos leilões de venda de moeda à tarde, o BC teria negociado cerca de US$ 100 milhões na primeira operação, cuja taxa de corte foi de R$ 2,2320, e mais cerca de US$ 220 milhões no segundo leilão, que teve taxa de corte de R$ 2,230. No início da tarde, a autoridade também negociou US$ 500,1 milhões equivalentes à oferta integral de 10 mil contratos de swap cambial, com vencimento em 1/12/08. Nestas operações, o BC assume posição vendida em dólar e comprada em taxa de juros.  Na operação de venda de swap cambial hoje, pela primeira vez desde a retomada desses leilões em 6 de outubro, após a piora da crise financeira internacional, as taxas nominal e linear praticadas nos contratos vendidos ficaram negativas: nominal ficou -0,2545% e a linear -0,248%. As taxas negativas ocorreram porque os contratos saíram com cotação mínima superior a 100, apurou o jornalista da AE em Brasília, Fernando Nakagawa. No leilão desta tarde, os swaps foram vendidos a 100,0276. Esta foi a décima segunda sessão consecutiva em que o BC ofertou esses contratos.

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