Atuação do BC no câmbio soma US$ 32,8 bi até 28 de outubro

Presidente do Banco Central fala ao Senado e reitera que autoridade não tem meta nenhuma para o câmbio

Fabio Graner e Leonardo Goy, da Agência Estado,

30 de outubro de 2008 | 12h26

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse nesta quinta-feira, 30, que as atuações da autoridade monetária no mercado de câmbio para enfrentar os problemas de liquidez somaram US$ 32,8 bilhões até 28 de outubro. Desse montante, US$ 4,6 bilhões foram em vendas no mercado à vista, US$ 5 bilhões em linhas com recompra, US$ 20,1 bilhões em contratos de swap cambial, US$ 1,5 bilhão relativo a não rolagem de contratos de swap cambial reverso e US$ 1,6 bilhão em empréstimos para comércio exterior. Veja também:Crédito para empresas já começa a se regularizar, diz MeirellesSenador ataca 'supergênios' e critica uso de MPs contra criseCrise financeira é sistêmica e ninguém escapará, diz MantegaVeja os reflexos da crise financeira em todo o mundoLições de 29Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitosEspecialistas dão dicas de como agir no meio da crise Dicionário da crise   Segundo Meirelles, essas intervenções só afetam as reservas internacionais nos casos de venda de dólares no mercado à vista. Em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, Meirelles informou ainda que, no âmbito do enfrentamento da crise de liquidez em reais, o BC já promoveu até 28 de outubro uma redução de R$ 51 bilhões no recolhimento do depósitos compulsórios.  Meirelles reiterou que o BC não trabalha com nenhum tipo de meta para o câmbio. "Não temos meta de câmbio. A cotação é flutuante. Temos meta para inflação e outros indicadores", disse. Segundo ele, a volatilidade no câmbio foi causada pelas posições de empresas exportadoras no mercado de derivativos e também pela repatriação de recursos de empresas internacionais que precisavam cobrir o caixa de suas matrizes. O presidente do BC disse, demonstrando bom humor, que um dos trabalhos mais difíceis na análise econômica é justamente fazer projeções sobre o câmbio. Meirelles também voltou a dizer que o BC adotará medidas adicionais para garantir que parte dos recursos que estão sendo liberados do compulsório, direcionados a bancos pequenos e médio, chegue efetivamente a estas instituições. Segundo ele, já foram liberados R$ 28 bilhões do compulsório para que grandes bancos adquiram carteiras de crédito de instituições de pequeno e médio portes. "Estamos estudando, como já mencionei, como tornar mais eficaz esse direcionamento", afirmou. A sessão na CAE foi marcada por troca de ironias entre o presidente da Comissão, Aloizio Mercadante (PT-SP), e o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM). Virgílio deixou a sessão para outro compromisso e, ao fazê-lo, disse que Mercadante "ficaria triste" com sua saída. Mercadante, de pronto, respondeu que "o plenário é que ficaria feliz" com sua saída. Na seqüência, Virgílio que já havia feito uma brincadeira com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao dizer que, diante dos elogios do ministro ao Proer, possuía uma ficha no bolso para que ele se filiasse ao PSDB, disse que seria melhor para Mercadante se Meirelles não fosse para o PSDB. "O Mercadante ficaria sozinho com o debate qualificado dele", disparou. 

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