Atuação do governo para conter preço de alimentos é reduzida

Poucos estoques públicos e ausência de política de restrição de exportação limitam poder federal

Fabíola Salvador, da Agência Estado,

08 de maio de 2008 | 19h00

O poder de atuação do governo para limitar a alta dos preços dos alimentos no mercado interno é muito reduzido, já que praticamente não há estoques públicos de grãos e uma política de restrições às exportações, como é praticada na Argentina, é uma alternativa que não está na pauta de discussões, de acordo com análises de técnicos.  Veja também:Entenda a crise dos alimentos  Em eventos distintos, os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e da Agricultura, Reinhold Stephanes, avaliaram nesta quinta-feira, 8, que a alta dos preços dos alimentos no mercado interno é reflexo do cenário externo e que a alternativa para o médio prazo é estimular a produção por meio de liberação de crédito, garantia de preço durante o período de comercialização e ampliação do seguro rural. De qualquer forma, a eficácia da política de estímulo à produção, que, segundo Stephanes, deve ser discutida com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e anunciada num prazo de 30 dias, só poderá ser mensurada a partir de fevereiro do ano que vem, quando as lavouras que serão plantadas a partir de setembro deste ano forem colhidas.  A expectativa de Stephanes é que a produção na safra 2008/09 crescerá 5% em relação à colheita de 142,12 milhões de toneladas, como informou hoje a Conab. Stephanes avaliou que a área plantada deve crescer no mesmo ritmo de anos anteriores, entre 1% e 1,5%, apesar da disponibilidade de áreas que podem ser incorporadas ao processo produtivo. O ministro da Agricultura calculou que só em Tocantins 4 milhões de hectares poderiam ser usados para cultivo de lavouras. O diretor de Logística de Gestão Empresarial da Conab, Silvio Porto, explicou que a reduzida oferta de sementes é um dos fatores que limita a expansão da atividade agrícola no País, apesar do aumento dos preços de todos os grãos no mercado internacional.  "Apesar da disponibilidade de áreas para plantio, a produção não deve crescer de forma significativa, porque a oferta de sementes é reduzida. Além disso, é preciso ter máquinas e outros equipamentos", afirmou Porto. Como limitador para o crescimento da agricultura, Stephanes também cita a oferta de adubos. Na manhã de hoje, ao anunciar os novos números para a safra 2007/08 de grãos, o ministro disse que o governo não terá uma política de curto prazo que tenha como objetivo reduzir o preço dos fertilizantes no mercado interno. Ele lembrou que entre 60% e 80% dos componentes dos adubos são importados, e que há poucos fornecedores no mercado mundial e poucas empresas revendedoras no Brasil. Para o médio prazo, no entanto, o governo avalia algumas alternativas, entre elas a redução da carga tributária incidente sobre a cadeia produtiva e o incentivo à organização de cooperativas para exploração das minas de fosfato. Mas a meta de elevar a oferta interna pode esbarrar, mais uma vez, em questões ambientais, já que, segundo o ministro, as minas de potássio estão localizadas na Amazônia, o que dificulta a exploração.

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