Atuação do governo pode manter chances

Análise: Roberto Godoy

O Estado de S.Paulo

25 de novembro de 2011 | 03h06

A Embraer Defesa precisa do governo para manter as chances de receber o contrato da venda dos Super Tucano de ataque leve para a Força Aérea dos EUA. A encomenda de 15 a 20 aeronaves vale cerca de US$ 250 milhões, mas é apenas inicial - o lote completo, ainda não definido, chega a US$ 1 bilhão. Além disso, a encomenda dá ao produto brasileiro a chancela do Pentágono.

A equação das discussões tem duas vertentes. Uma delas é o requisito de que a produção das aeronaves seja feita em território americano. Essa é fácil. A Embraer tem um centro industrial na Flórida. Se vencer, o consórcio vai gerar 50 empregos qualificados em Jacksonville e cerca de 1.200 outros na rede de fornecedores.

A segunda é a seleção F-X2, da Força Aérea Brasileira, para compra de 36 caças avançados. A americana Boeing é finalista com o F-18E/F Super-Hornet, ao lado da sueca Saab, com o Gripen NG, e a francesa Dassault, com o Rafale.

Embora o produto dos EUA tenha longa folha de bons serviços em combate, a proposta da Boeing esbarra na transferência de tecnologia - fundamento da decisão da FAB. Essa é difícil. Nesse ponto é que o Palácio do Planalto precisa entrar no cenário, sentar-se à mesa e negociar.

A Embraer já amargou frustração numa licitação do Pentágono. Em 2004, o governo americano anunciou vitória da empresa na licitação para venda de jatos de inteligência. Os ERJ-145 serviriam de plataforma para um sistema de coleta de informações, vigilância e reconhecimento no campo de batalha,

O contrato, entre US$ 7,5 bilhões e US$ 10 bilhões, cobria 58 aviões. Logo um intenso movimento das indústrias aeroespaciais dos EUA contra a resolução do Departamento de Defesa teve inicio. A assinatura do contrato sofreu três adiamentos. A concorrência foi anulada.

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