Atual governo italiano tem 80% de aprovação

Primeiro-ministro Mario Monti, de perfil técnico, tem apoio popular 'sem precedentes' desde a 2ª Guerra, diz pesquisa

ROMA, O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2011 | 03h06

O novo governo da Itália, liderado pelo primeiro-ministro Mario Monti, tem quase 80% de aprovação no momento em que inicia seu trabalho de tentar melhorar o quadro econômico do país, aponta uma pesquisa divulgada ontem. O governo tem o apoio de 78,6% dos entrevistados, segundo levantamento publicado no jornal de esquerda La Repubblica.

Monti, que chegou ao poder após a renúncia de Silvio Berlusconi, tem o apoio de 83,8% dos italianos, conforme a pesquisa realizada pela empresa Demos entre os dias 17 e 18 de novembro. Analistas dizem que o novo primeiro ministro, de perfil técnico e fala mansa, tem impressionado um eleitorado cansado do estilo político e personalista de Berlusconi, que não sobreviveu à pressão do mercado por reformas econômicas para salvar a Itália do mesmo destino de outras economias europeias, como a Grécia, a Irlanda e Portugal, que se encontram à beira do colapso financeiro.

A Itália sofre com um alto endividamento, de 120% do Produto Interno Bruto (PIB), que o governo anterior falhou em controlar. Isso levou à especulação com os títulos da dívida italiana, cujos juros chegam a 7% ao ano. Segundo especialistas, o país não tem como sustentar suas contas pagando esse tipo "prêmio" aos investidores, que alimenta ainda mais o "estoque" de débitos.

Reformas. A aposta do mercado é de que Monti, ex-comissário da União Europeia, faça as reformas para reduzir a desconfiança do mercado em relação à sua capacidade de pagamento. No entanto, ele enfrentará dificuldades ao longo do caminho. Monti, que também acumula a função de Ministro da Economia, passou os primeiros dias no gabinete avaliando as informações mais recentes sobre a economia do país. E pode ter de tomar medidas impopulares para trazer a economia italiana de volta aos trilhos.

Os jornais italianos publicaram ontem que, entre as medidas consideradas pela nova administração está o retorno de um imposto sobre propriedades abolido por Berlusconi, além de um aumento da fiscalização para combater a sonegação tributária e um corte nos tributos sobre a folha de pagamento para incentivar as contratações.

Por conta das dificuldades financeiras que a Itália enfrenta atualmente, Monti provavelmente se verá obrigado a submeter muitas de suas decisões a "instâncias superiores". Enquanto desenha os pontos gerais de seu programa de recuperação, terá de viajar a Bruxelas para reunir-se com José Manuel Barroso, presidente da Comissão Europeia. Depois da passagem pela Bélgica, ele tem encontros marcados com o presidente da França, Nicolas Sarkozy, e a chanceler alemã, Angela Merkel.

Sem precedentes. Os dados da pesquisa mostram que, em uma semana, Monti deu o recado correto para a opinião pública italiana: "Não foi o suficiente para levar a população da depressão à euforia", dizem os responsáveis pelo levantamento. No entanto, o instituto ressalta que o apoio ao novo governo atingiu uma "maioria sem precedentes" desde o período da Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

A pesquisa mostra que a confiança no perfil técnico do novo primeiro-ministro é bem superior à depositada nos tradicionais políticos de carreira da Itália. O chefe do esquerdista Partido Democrata, Luigi Bersani, aparece com 48,1% de avaliação positiva na pesquisa divulgada ontem, enquanto Berlusconi tem 28,6% de aprovação. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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