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Atual política de conteúdo local prejudica petroleiras, critica Parente

Executivo defendeu a realização de novos leilões de áreas do pré-sal para reaquecer a economia no País e justificou a venda de Carcará por causa do alto investimento inicial

O Estado de S.Paulo

03 de agosto de 2016 | 12h40

RIO - O presidente da Petrobrás, Pedro Parente, fez novas críticas à política de conteúdo local no País, indicando que o atual modelo prejudica as petroleiras. Segundo ele, a quantidade de itens e a política de perdão às empresas tem viés punitivo e de proteção de mercado, sem estimular novos fornecedores e a inovação dos produtos. O executivo defendeu a realização de novos leilões de áreas do pré-sal para reaquecer a economia no País.

"Nós somos totalmente a favor da política de conteúdo local, mas existem problemas na política atual. Ela prejudicou os contratantes", afirmou Parente em seminário organizado pelo Bradesco, no Rio. Segundo ele, a Petrobrás está disposta a "contribuir com nossa visão para uma nova política que de fato atenda a indústria nacional".

Entre as críticas, Parente indicou a falta de entendimento sobre a aplicação de waiver, o perdão ao descumprimento da meta de conteúdo local em determinados itens, e o próprio conceito da política. "Conteúdo local é produzido no Brasil, gera emprego e renda, independentemente da nacionalidade do investidor", frisou.

O executivo ainda criticou o perfil "extremamente punitivo" da política. "Ela não foi capaz de desenvolver, não estimulava a chegada de novos e bons fornecedores. Era protecionista e não estimulava a inovação", resumiu.

"Uma boa política deve ter lado punitivo, mas também de premiação. Existe espaço, bastante espaço, para desenvolver política de conteúdo local inteligente, efetiva, que vai ajudar muito o nosso País. Sei que o governo está pensando em uma linha positiva nesse tema", completou Parente.

O executivo também defendeu a realização de novos leilões para reaquecer a economia do País. "Novos leilões, assim como nossos desinvestimentos, vão animar muito a economia, vão apresentar novos parceiros dispostos a fazer investimentos, como foi o caso de Carcará", completou.

Carcará. Parente justificou a decisão pela venda da área de Carcará, no pré-sal da Bacia de Santos, pelo alto custo de investimento necessário para o seu desenvolvimento. Segundo ele, como a área ainda estava em fase exploratória, seriam necessários investimentos entre US$ 10 bilhões e US$ 12 bilhões para a construção de equipamentos específicos e infraestrutura adequada para a área, considerada isolada de outros campos produtores com logística de apoio já instalada.

"Pensamos os desinvestimentos do ponto de vista de portfólio", explicou Parente, em seminário organizado pelo Bradesco. "Quando temos um campo no mar, precisamos de infraestrutura de apoio dividida entre campos próximos. Haveria um custo com essa infraestrutura que não temos hoje, por exemplo, não temos gasoduto. Quando olhamos essas características, que exigiriam, entre US$ 10 bilhões e US$ 12 bilhões de investimento, decidimos pelo desinvestimento", completou.

Em sua fala, Parente também indicou que o plano de desinvestimentos da Petrobrás visa equacionar a alta dívida da companhia, gerada desde 2011. Ele apontou como razões para o crescimento da dívida os anos em que a "política de preços esteve abaixo dos preços de mercado", além de investimentos em projetos que não geraram "nenhum retorno" para a companhia. "Desde 2011 temos um enorme crescimento de dívida e dois terços dela não geram um real. Esse é um peso que exige que a gente haja com muita firmeza em relação a um programa que busque a redução dessa dívida a níveis bem mais palatáveis e que permita à empresa cumprir seus objetivos sociais e financeiros", reforçou Parente. / ANTONIO PITA, DANIELA AMORIM, FERNANDA NUNES E VINICIUS NEDER

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