Atvos e Renuka finalizam plano de recuperação

Duas companhias do setor sucroenergético apresentarão, nas próximas duas semanas, planos de recuperação judicial

Coluna do Broadcast Agro, O Estado de S.Paulo

05 de agosto de 2019 | 05h47

Duas companhias do setor sucroenergético apresentarão, nas próximas duas semanas, planos de recuperação judicial. A Atvos, do grupo Odebrecht, revelará amanhã como pretende renegociar a dívida estimada em R$ 12 bilhões. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Banco do Brasil têm, juntos, 66%, ou R$ 7,95 bilhões do total dos débitos. Já a Renuka do Brasil elabora uma nova proposta, a ser entregue até setembro. A anterior não foi adiante porque fracassou a venda da usina Revati, em Brejo Alegre (SP). O recurso captado seria utilizado no pagamento de credores, de acordo com plano aprovado em agosto de 2018. “O novo plano é necessário, pois a Revati não foi vendida. Não sabemos a diferença entre os planos porque ainda estamos em negociação junto a credores”, diz Manoel Bertone, presidente da Renuka do Brasil. Enquanto isso, a companhia segue operando apenas a usina Madhu, em Promissão (SP).

Rumores etílicos. Bastou o anúncio da fusão das operações de etanol, açúcar e cogeração das gigantes BP e Bunge para que ressurgissem rumores da venda de usinas da Biosev no Brasil. Após se desfazer das duas unidades no Nordeste, em 2018, a companhia controlada pela francesa Louis Dreyfus teria oferecido a interessados a Usina Continental, em Colômbia (SP). A Biosev informa que “não há nenhuma negociação de venda de unidades em andamento ou plano para fechamento de usinas”. 

Complicado. As cooperativas agropecuárias do Brasil estão apreensivas com a proposta de reforma tributária em discussão no Congresso, que unifica os tributos IPI, PIS, Cofins, ICMS e ISS. Para elas, o texto tende a complicar - e encarecer - suas operações. Hoje, as cooperativas pagam ICMS médio de 12% e nem sempre recolhem o IPI, de cerca de 10%, pois a maior parte de seus produtos entra na cesta básica, isenta do imposto. Elas também não pagam PIS e Cofins, tributos a cargo do cooperado.

Desequilíbrio. Com a possível unificação de impostos, pode haver bitributação, uma vez que as cooperativas pagariam PIS/Cofins e os produtores também, diz Marcos Antonio Caetano, consultor da Martinelli Advogados que representa a Organização das Cooperativas Brasileiras. A situação se agrava porque a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da reforma diz que o imposto único não poderá permitir isenção, concessão de crédito presumido, anistia ou outro tipo de benefício, o que limita a adequação do texto à situação das cooperativas. 

Recorre. A OCB proporá que a PEC siga o artigo 146 da Constituição, que trata do “adequado tratamento tributário” ao “ato cooperativo” - pelo qual não há operação comercial entre cooperado e cooperativa, diferentemente da relação entre uma empresa e fornecedores. A entidade também solicitará que não haja aumento da tributação de cooperados, diz Caetano.

De vento em popa. O mercado de defensivos biológicos para soja movimentou US$ 100 milhões na safra 2018/2019, alta de 45%. Os números são do Business Inteligence Panel, estudo da consultoria Spark feito com 3,6 mil produtores. Além do maior leque de produtos, o uso crescente de defensivos biológicos está associado à baixa toxicidade e ao estímulo para o desenvolvimento das raízes.

Direto na praga. Embora sejam aplicados principalmente em sementes, o salto de consumo se deu no controle de nematoides de solo. Na última safra, a área de soja tratada com biológicos cresceu 152%, para 7,83 milhões de hectares. Cerca de 2,8 milhões de hectares foram tratados em 2018/2019 com bionematicidas. Com a maior adoção, esses produtos representaram metade do mercado do setor para a soja, ou US$ 50 milhões em vendas no período. Já a linha de fungicidas vem em seguida, com US$ 40 milhões, informa Cristiano Limberger, gerente de Relações com Clientes da Spark.

Limão e limonada. A indefinição em torno da tabela de preços mínimos para o frete rodoviário está impulsionando a navegação por cabotagem. Seu uso reduz custos e evita os riscos das estradas, conta Patrícia Iglesias, diretora comercial do Terminal de Contêineres do Porto de Salvador (Tecon). No primeiro semestre, o Tecon baiano registrou aumento de 15% na movimentação de cargas agropecuárias por cabotagem ante igual período de 2018. Só o arroz teve movimentação 8,07% maior.

Contagem regressiva. Os efeitos da concessão da Ferrovia Norte-Sul à Rumo, assinada na semana passada, só começarão a ser percebidos pelo agronegócio em um ano e meio, diz Edeon Vaz Ferreira, diretor executivo do Movimento Pró-Logística. Até lá, a concessionária investirá na aquisição de locomotivas e vagões e fará obras civis entre Ouro Verde (GO) e Estrela d’Oeste (SP), que permitirão o transporte de grãos do Centro-Oeste e Sudeste ao Porto de Santos (SP). O investimento deve alcançar R$ 4,5 bilhões, diz. O trecho da Norte-Sul ao norte de Ouro Verde, que vai de Anápolis (GO) a Porto Nacional (TO), já está pronto.

Selinho. Frigoríficos da JBS acabam de receber o Selo Cadeia de Fornecimento da consultoria Serviço Brasileiro de Certificações (SBC). Desenvolvido pela SBC com a JBS, ele serve para mostrar que a empresa tem condições de atender aos mercados mais exigentes em critérios como saúde animal, meio ambiente e responsabilidade social./COLABOROU AUGUSTO DECKER

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