Audi anuncia reajuste de 10% após aumento do IPI

Marca alemã decide manter preço dos carros em estoque e vai repassar imposto de forma gradativa

CLEY SCHOLZ, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2011 | 03h09

A esperada onda de reajuste de preços dos carros importados provocada pelo aumento do Imposto de Importação (IPI) já começou e pode chegar a 30%.

A marca alemã Audi anunciou ontem que vai repassar de forma gradativa o aumento, começando com um reajuste de 10% até o fim de outubro para a nova linha modelo 2012 que chega hoje às revendas. O restante do aumento decorrente do IPI poderá vir combinado com a alta do dólar, as a empresa vai avaliar as condições do mercado antes de fixar os novos preços.

Cerca de 900 carros da Audi modelo 2011 que estão em estoque não terão reajuste, garantiu o presidente da empresa no Brasil, Paulo Kakinoff. Especialistas acreditam que o repasse do IPI deve ficar entre 10% e 15% em todas as marcas de carros importados. "Importadores e concessionários devem absorver parte do aumento para não perder participação no mercado", afirma o consultor Paulo Roberto Garbossa, da ADK Automotive. "Todos querem assegurar sua fatia e poderão fazer promoções", disse.

O aumento de 30 pontos porcentuais no IPI dos automóveis e caminhões importados foi anunciado pelo governo na semana passada. A medida atinge principalmente os importados chineses e coreanos. O imposto mais alto não vale para carros importados do Mercosul e do México, regiões de livre comércio com o Brasil.

Justiça. O partido Democrata (DEM) ingressa hoje no Supremo Tribunal Federal (STF) com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) para tentar derrubar o aumento do IPI. Para o partido, a medida vai contra a Constituição porque não poderia ter entrado em vigor antes de 90 dias. A base é a alínea c, do inciso III do artigo 150 da Carta Magna que determina que a cobrança de tributo deve respeitar o prazo acima.

A ação do DEM antecipa a disputa judicial já prevista pelas empresas importadoras. O partido justifica sua atuação com o argumento de que a medida protecionista do governo servirá apenas para que o consumidor pague mais e tenha um carro de pior qualidade. Para o partido, o melhor caminho para defender a indústria local seria a diminuição dos impostos, a queda dos juros, a redução da burocracia e investimentos em infraestrutura. / COLABOROU EDUARDO BRESCIANI

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