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Audiência de Cacciola é adiada para 6 de dezembro

Justiça de Mônaco adia julgamento a pedido da defesa, que vai apresentar novos documentos

Andrei Neto, da Agência Estado,

22 de novembro de 2007 | 08h50

A audiência da Justiça de Mônaco que definiria a extradição do banqueiro Salvatore Cacciola resultou novamente em adiamento, sendo remarcada para o próximo dia 6 de dezembro. A pedido da defesa, os juízes decidiram solicitar novos documentos ao Ministério da Justiça brasileiro, que comprovem a autenticidade e a vigência dos mandados de prisão. O advogado de Cacciola, Frank Micheli, disse a Agência Estado que por estratégia não poderia revelar os novos documentos que serão solicitados ao Ministério da Justiça. O procurador-geral adjunto do caso, Gérard Dubais, é quem vai dar mais detalhes. Cacciola chegou mais uma vez em um camburão da polícia de Mônaco pouco depois das 9h30 (horário local) desta quinta-feira, 22, escoltado por policiais que procuraram evitar sua exposição à imprensa. Fotógrafos e jornalistas foram empurrados e praticamente impedidos de trabalhar no local. O ex-banqueiro deve sair do Palácio de Justiça e retornar ao seu cárcere na Casa de Detenção de Baixa Periculosidade. O ex-banqueiro italiano Salvatore Cacciola foi preso pela Interpol no dia 15 de setembro, em Mônaco, na Europa. Condenado a 13 anos de prisão no Brasil por desvio de dinheiro público e gestão fraudulenta de instituição financeira, o ex-dono do banco Marka estava foragido da Justiça brasileira havia sete anos.  Cacciola é um dos envolvidos no escândalo do socorro aos bancos Marka e FonteCindam, logo após a desvalorização do real, em janeiro de 1999. O escândalo envolveu ex-funcionários dos dois bancos, do Banco Central e consultores independentes, causando prejuízo de R$ 1,57 bilhão aos cofres públicos. Na época, Marka e FonteCindam tinham muitos contratos atrelados ao câmbio e foram surpreendidos pela desvalorização do real. Alegando "risco sistêmico" - o perigo de uma quebra generalizada no sistema bancário -, o BC ajudou os banqueiros a cobrir o rombo, vendendo dólares por cotação inferior à do mercado.  Em 2000, Cacciola foi detido em um spa, no Rio Grande do Sul, e transferido para uma prisão do Rio. Depois de permanecer 37 dias na cadeia, foi solto graças a um habeas-corpus e conseguiu fugir para a Itália. Em outubro de 2005, Cacciola e o Banco Marka foram condenados no processo em que eram acusados peculato e gestão fraudulenta. Caso Marka O Banco Marka e o Banco FonteCindam haviam apostado que o real não seria desvalorizado e venderam vultosos contratos de dólar na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F). Quando a política cambial foi alterada, em favor do regime de flutuação do dólar, os bancos constataram que haviam apostado no "perdedor" e, por motivos diversos, ficaram impossibilitados de cumprir os contratos.  Os grupos foram "salvos" pelo Banco Central, que vendeu dólares a R$ 1,27 e a R$ 1,32, respectivamente - quando a cotação estava em R$ 1,55 -, em quantidades suficientes para que honrassem os compromissos. Em meio à ampla discussão que se travou, soube-se que a BM&F havia alertado o BC sobre a possibilidade de ocorrer o chamado "risco sistêmico" - situação em que a quebra de uma instituição leva a outras quebras. Em carta enviada ao BC, a BM&F não mencionou, porém, o nome do Banco Marka. Enquanto os bancos eram salvos, aplicadores no fundo Marka-Nikko, administrado pelo Banco Marka, perdiam quase todo o dinheiro que haviam investido.

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