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Auditoras dos EUA falharam em 54% das maiores falências

As empresas de auditoria não detectaram riscos nos balanços de 54% das 673 maiores falências de companhias nos Estados Unidos nos últimos sete anos. Este levantamento foi feito pela revista da Bloomberg em sua edição de maio, que traz como reportagem de capa uma matéria de cerca de 20 páginas sobre a perda de credibilidade dos auditores pós-escândalo Enron. Em alguns casos, diz a revista, as auditorias deram pareceres sem ressalvas para empresas que faliram dois meses depois, como é o caso da LoehmannInc., uma grande cadeia de lojas de roupas.Só nas dez maiores falências examinadas pela Bloomberg, os acionistas chegaram a perder US$ 119,8 bilhões. Cinco das sete maiores - entre elas, Enron, Global Crossing e KMart - ocorreram após a publicação de balanços sem qualquer ressalva pelo auditores externos. A reportagem sugere que o modelo atual de auditoria está falido e que os procedimentos adotados precisam de profundas mudanças. A revista insinua também que existe um conflito de interesses na prestação de serviços de auditoria e consultoria para a mesma empresa.Dados da Securities Exchange Comission (SEC), que regula o mercado de capitais nos Estados Unidos, dão conta que apenas 31% das receitas das cinco maiores auditorias - Arthur Andersen, Deloitte & Touche, Ernst & Young, KPMG e PricewaterhouseCoopers - vêm de seus serviços como auditores. O restante é ganho com outros serviços, como consultoria. Com faturamento de US$ 65,6 bilhões em 2001, essas empresas auditaram as contas de 97% de todas as companhias abertas norte-americanas.Para se livrar do estigma após o caso Enron, algumas auditorias, como a Ernst & Young, anunciaram reestruturações que incluíam a separação total dos serviços. O curioso é que a Arthur Andersen, envolvida no escândalo Enron e também no da WorldCom, é a companhia com maior grau de sinalizações de futuras falências. Em 54% das auditorias feitas em empresas que vieram a falir, a Andersen detectou problemas nos balanços. O pior resultado é o da KPMG, que só conseguiu acertar 38% dos casos.A revista mostra que a Ernst & Young auditou o balanço da Loehmannem março de 1999. Não houve ressalvas. Dois meses depois, a companhia pediu para ser incluída no Chapter 11, que regula as falências nos Estados Unidos, por não conseguir pagar um empréstimo de US$ 5,5 milhões. Caso semelhante ocorreu com a System Software Associates, que teve suas contas auditadas pela KPMG em janeiro de 2000 e pediu falência em abril do mesmo ano.

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