Auditores da Receita travam fiscalizações

Em protesto, categoria não cadastra no sistema novas ocorrência, o que inviabiliza operações que começariam em 2016

Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

15 Dezembro 2015 | 02h03

BRASÍLIA - Em um movimento por melhores salários e condições de trabalho, auditores da Receita Federal estão se recusando a cadastrar no sistema as novas fiscalizações a serem executadas em 2016, o primeiro passo para as operações do ano que vem.

Na prática, a ação poderá paralisar todas as operações de fiscalização do órgão, como de grandes devedores, Imposto de Renda Pessoa Física e Jurídica, Contribuição Previdenciária e outros, e a Receita iniciará 2016 sem ações fiscais programadas.

Além disso, os auditores que trabalham na aduana começarão amanhã uma operação padrão na liberação de cargas que chegam e saem do país. "É algo que a gente evitou até agora porque prejudica as cargas, o comércio internacional. Mas as negociações com o governo estão totalmente paralisadas", afirma o vice-presidente do Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco), Kleber Cabral.

De acordo com Cabral, há notícias de fiscais se recusando a inscrever o planejamento da fiscalização de 2016 em todo o País. Em São Paulo, das 31 unidades, apenas quatro cumpriram o prazo, que acabou na última sexta-feira.

A 2ª região fiscal, que inclui os estados da Região Norte, os chefes dos setores de fiscalização enviaram uma carta ao secretário da Receita, Jorge Rachid, comunicando que não registrarão as metas de fiscalização para 2016 no sistema da Receita, "considerando que, passados oito meses da mobilização da categoria, o governo se mostra insensível aos legítimos e justos pleitos da categoria". Segundo Cabral, a "Região Norte formalizou, mas isso tem acontecido no país todo. É quase um motim e mostra o descontentamento geral dos auditores".

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