Auditores devem aceitar proposta para salários

Representante dos fiscais diz que greve está perto de fim; plano de carreira é principal ponto de discordância

Fernando Nakagawa, O Estadao de S.Paulo

22 de abril de 2008 | 00h00

Auditores da Receita Federal acreditam que a greve está mais perto de acabar. Fiscais tentam marcar uma reunião com o governo hoje para acertar detalhes que podem encerrar a paralisação que dura mais de um mês. O plano de carreira dos servidores é o grande motivo de discordância entre as partes. Sobre o aumento de salário, auditores devem aceitar a proposta do governo de R$ 19.200 - R$ 500 menor que a reclamada.O presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco), Pedro Delarue, diz que as condições para o fim da greve estão mais próximas. "Não falta muito para o movimento terminar. Agora, são detalhes", disse. O principal é o plano de carreira. Pela proposta do governo, o posto máximo entre os auditores poderia ser atingido em até 42 anos após a entrada na Receita. Delarue pede que o período seja reduzido para até 18 anos.Outro ponto de discordância é o calendário para o pagamento do aumento de salário. O governo quer dividir o reajuste em três partes a serem pagas nos meses de julho de 2008, 2009 e 2010. Os auditores querem que os pagamentos sejam feitos até abril de 2009.Sobre o salário, Pedro Delarue sinaliza que os fiscais devem "ceder" e aceitar a proposta do governo. Segundo ele, a categoria quer isonomia com policiais federais, que ganham até R$ 19.700 mensais. Mas a proposta do governo foi R$ 500 menor, de até R$ 19.200.O representante dos auditores rechaçou a idéia que vem sendo aventada nos bastidores, de dar mais poder aos analistas da Receita, que poderiam substituir os fiscais. "Essa idéia foi levantada durante as negociações, mas já alertamos que isso poderia ser o início de um ?trem da alegria?, com analistas virando auditores sem terem feito concurso. Terminar uma greve dessa forma é criar problemas para os próximos três ou quatro anos." Segundo ele, essa decisão poderia gerar "uma expressiva queda de arrecadação". A Receita Federal negou que tenha intenção de colocar analistas para fazer o trabalho dos fiscais.Os auditores estão em greve desde 18 de março. A paralisação tem gerado inúmeros problemas, principalmente por quem tem mercadoria parada em terminais de portos e aeroportos. Há dúvidas com relação ao pagamento dos dias não trabalhados nesse período. A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes pode ser cortar o ponto a partir de 9 de abril. Mas o Ministério do Planejamento quer cortar todos os dias não trabalhados.

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