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Auditorias são submetidas a revisão de qualidade

Empresas de auditoria que atuam no País finalizam neste mês a primeira rodada do Programa de Revisão Externa de Qualidade. No âmbito desse projeto, também conhecido como "revisão dos pares", as companhias são auditadas por outra empresa independente, que verifica se elas estão seguindo os padrões de qualidade definidos pelos órgãos reguladores.Pelo cronograma em vigor, os auditores tiveram até 15 de junho para concluir relatório sobre os procedimentos adotados pelas empresas. Nessa primeira rodada, foram revisadas as 60 auditorias que têm maior número de companhias abertas como clientes. As demais, cerca de 380, serão revisadas até 30 de setembro.Segundo o vice-presidente técnico do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) e integrante do comitê que coordena o programa, Irineu De Mula, as próprias auditorias escolheram seus revisores. "Só não podia haver troca de trabalho, ou seja, uma auditoria revisar a outra."Finalizada a avaliação, os revisores elaboraram um relatório com um parecer e o entregaram ao Comitê Administrador do Programa de Revisão Externa de Qualidade. Até o fim deste mês, o comitê analisará os documentos e enviará um parecer sobre o serviço de auditoria no País ao CFC, à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e ao Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (Ibracon).O projeto de revisão das auditorias começou em 1999, com a Instrução n.º 308 da CVM. A proposta ganhou importância após a falência da empresa americana de energia Enron, escândalo que levou a grande crise a Arthur Andersen, uma das cinco maiores auditorias do mundo.Irineu De Mula explicou que o revisor tem de verificar se a auditoria possui boas regras internas para a realização dos trabalhos e se essas normas são aplicadas. Caso encontre problemas, o revisor fará recomendações para o aperfeiçoamento da atuação da companhia.O comitê acompanhará a implementação das melhorias indicadas e poderá solicitar nova revisão da auditoria. Pelas regras, as empresas que não apresentarem problemas passarão por outra revisão somente depois de quatro anos.Para o diretor do Ibracon e sócio da Deloitte Touche Tohmatsu Francisco Papellás Filho, o programa é bastante amplo e possibilitará um bom retrato das auditorias. Ele acredita que os benefícios compensam os custos. O sócio da PrincewaterhouseCoopers Jair Allgayer disse que o Brasil começa a alinhar-se a outros países do mundo ao exigir a revisão das auditorias.

Agencia Estado,

18 de junho de 2002 | 08h51

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