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Augustin: é cedo para falar em elevar meta de superávit

O secretário do Tesouro, Arno Augustin, afirmou hoje que ainda é cedo para se falar em elevação da meta de superávit primário (economia do governo para o pagamento dos juros da dívida pública) das contas do setor público em 2010, fixado em 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB). Mas admitiu, pela primeira vez, que é possível o governo fazer um superávit maior na forma de uma poupança como fez em 2008, ao criar o Fundo Soberano do Brasil (FSB) sem elevar a meta.

ADRIANA FERNANDES, Agencia Estado

19 de maio de 2010 | 12h00

Augustin disse que por enquanto o governo está acompanhando a evolução do quadro fiscal e considera como uma medida eficaz o corte adicional de R$ 10 bilhões nas despesas do Orçamento deste ano. "Estamos preocupados com cumprir a meta, ganhar o jogo. Goleada é depois", disse Augustin em entrevista após participar de reunião fechada com parlamentares da Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados.

O secretário informou ainda que a meta do quadrimestre de R$ 18 bilhões das contas do governo central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) será cumprida "com muita folga". Para o cumprimento desta meta, o governo central terá de registrar em abril um superávit fiscal de R$ 10 bilhões. O secretário enfatizou que superávit forte de abril já mostra a ação contracionista do governo para evitar o crescimento excessivo da economia.

Essa ação foi reforçada, segundo ele, com o corte adicional de R$ 10 bilhões no Orçamento. O secretário disse que nessa política de ação contracionista o governo precisa ser cuidadoso. Ele destacou que no corte do Orçamento o governo vai preservar os investimentos. "Quanto mais tivermos investimentos melhor", disse. Ele disse que o corte no Orçamento será formalizado amanhã com o encaminhamento ao Congresso do relatório da programação orçamentária, mas a definição dos cortes em cada ministério será feita até o dia 30 deste mês.

Europa

O secretário do Tesouro Nacional afirmou ainda não ver risco para os títulos da dívida interna e externa com a decisão da Alemanha de proibir operações de venda à descoberto. Segundo ele, o Tesouro está "bastante tranquilo" com a rolagem da dívida pública. O secretário adotou um discurso otimista em relação à crise europeia, que trouxe hoje mais volatilidade ao mercado. Segundo ele, os fundamentos da economia brasileira estão mais aprofundados, mas é natural que haja volatilidade no dia no movimento de acomodação de preços.

Augustin disse que o governo está sempre atento aos acontecimentos, mas considera a crise europeia não trará impactos para o Brasil como aconteceu com a crise financeira internacional de 2008. "O Brasil está sofrendo menos", disse. O secretário destacou que a crise é um problema importante, mas, segundo ele, muitos ajustes nos bancos, nos mercados já foram feitos na crise anterior. Por isso, ele disse acreditar que essa crise europeia "se resolve antes". Augustin voltou a criticar as taxas elevadas pedidas pelo mercado para os papéis da dívida interna. Ele disse que essas taxas são anteriores à crise europeia e o mercado continua pedindo taxas mais altas. Ele reforçou a avaliação de que o Tesouro não vai sancioná-la.

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