Aula particular ajuda o aluno ou atrapalha?

Muitos pais não sabem como reagir às dificuldades dos filhos na escola. A atitude mais comum dos pais é contratar aulas particulares, conversar com o aluno e procurar a escola. Especialistas e professores dão recomendações a quem enfrenta o problema. São unânimes em dizer que, muitas vezes, o aproveitamento escolar é baixo por conta de problemas psicológicos ou socialização, o que nenhum professor particular é capaz de resolver.A psicóloga Adriana Marcondes, do Instituto de Psicologia da USP, recomenda que os pais mantenham uma proximidade constante com o filho, perguntem sempre quais são os problemas, como vão as aulas etc. Uma vez que perceba algo estranho, o melhor a fazer é entrar em contato com a escola. "Em muitas situações, a dificuldade decorre de um fator coletivo. Por isso, é bom conferir se o problema não está na escola e nos colegas antes de culpar o filho ou jogar a responsabilidade sobre ele". Os amigos ou os professores, por exemplo, podem exercer uma influência inadequada.Adriana ainda recomenda que os pais questionem se o problema do filho não começa fora da escola. "Há uma diferença muito grande entre um aluno que tem dificuldades em captar o conhecimento e outro que sofre de problemas familiares. Nesse último caso, por exemplo, o problema nunca poderia ser resolvido por um professor particular", conclui. A partir dessa reflexão, conversar com um psicólogo pode ser uma boa saída. A psicóloga diz que não existe criança que não aprenda. "Os problemas de aquisição do conhecimento são produzidos nas relações e nas práticas escolares e na experiência de vida". Professor particular resolve quando o problema é conteúdoNo Colégio São Domingos, o coordenador de ensino fundamental, Edmílson de Castro, afirma que a aula particular é a melhor saída quando o problema do aluno é a carência de conhecimentos prévios sobre as disciplinas que aprende na escola. "Com o atendimento individual, o professor particular supre essa deficiência de teoria ou informação e, a partir daí, o aluno já pode seguir normalmente sua vida escolar. No entanto, quando o problema está na capacidade de apreensão do conhecimento (a chamada capacidade cognitiva), a melhor saída é procurar um profissional de psicologia ou de psicopedagogia, explica Edmílson. Aula não deve representar uma pressão para o alunoO diretor do ensino fundamental (antigo ginásio) do Colégio Santa Cruz, de São Paulo, Sylvio Nepomuceno, afirma que a aula particular não deve ser associada apenas ao fracasso escolar do aluno. "Um acompanhamento individual é importante para que o aluno melhore seu desempenho e enriqueça seu aprendizado, independentemente das dificuldades na escola".Atualmente, segundo o diretor, há uma exigência muito clara de que o aluno, já no ensino médio (antigo colegial), escolha que profissão vai seguir. "Essa pressão também pode provocar problemas na escola, e muitas vezes o pai enxerga a dificuldade como um distúrbio individual do filho, quando a própria escola talvez não o acompanhe adequadamente". Sylvio diz ainda que muitos pais, ao optarem por colocar o filho em uma aula particular, transferem a ele o estresse e a responsabilidade característicos da vida adulta. "Isso não é bom para o aluno, que se sente pressionado e assume papéis que não são próprios de sua idade". Especialmente para as crianças, o melhor é brincar bastante, jogar bola, ter amigos, e não ficar preocupado, por exemplo, em escolher sua carreira.Procon dá dicas para a contratação de um professor particularA Fundação Procon-SP - órgão de defesa do consumidor ligado ao governo do Estado- recomenda que, se possível, alunos e professores devem firmar em contrato as obrigações acertadas verbalmente. "Embora saibamos que dificilmente isso acontece, no caso de ocorrer algum problema, é mais fácil reclamar quando há um contrato assinado", diz a assistente de direção do Procon, Edila de Araújo. Ela afirma que devem constar do documento as informações relativas a horário das aulas, duração do curso, data de pagamento, cláusulas sobre reposição de aulas, conteúdo das aulas, etc. Edila informa ainda que a aula particular é um serviço de prestação de serviços como um outro qualquer e deve seguir, portanto, as normas do Código de Defesa do Consumidor.

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