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Aulas de educação financeira em todo o País

Governo elabora estratégia nacional para disseminar o tema, com ampliação de aulas nas escolas públicas e cursos para adultos em 2011

Roberta Scrivano, O Estado de S.Paulo

27 de dezembro de 2010 | 00h00

Quase 70% dos consumidores brasileiros têm uma planilha para organizar os gastos da família e 66% dizem guardar os comprovantes de suas compras. Por outro lado, três em cada dez brasileiros pagam somente o valor mínimo da fatura do cartão de crédito e pelo menos 25% afirmam ter restrições cadastrais em seu nome.

Os dados são de um estudo produzido pelo Comerec (comitê que regula e fiscaliza o mercado de capitais brasileiro) em parceria com a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), e atestam o baixo nível da educação financeira no Brasil. Para iniciar a reversão do quadro, o comitê criou na semana passada a Estratégia Nacional de Educação Financeira (Enef).

Para o cidadão, a criação da Enef quer dizer acesso ao tema educação financeira. "Vamos ampliar projetos já existentes, criar e estimular iniciativas sobre o tema", diz Patrícia Monteiro, coordenadora geral de projetos especiais da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc).

Além da Previc, fazem parte do Comerec a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o Banco Central e a Superintendência de Seguros Privados (Susep).

Crianças e adultos. Desde agosto, 810 escolas públicas aplicam o tema educação financeira nas matérias tradicionais da grade curricular. Sob coordenação da CVM, essa é uma das iniciativas já implementadas, com previsão de ampliação em 2011.

"Hoje, ministramos aulas em um projeto-piloto. Agora, em parceria com a Bovespa, vamos elaborar o material didático para os nove anos do ensino fundamental", diz José Alexandre Cavalcanti Vasco, superintendente de Proteção e Orientação aos Investidores da CVM. "Tínhamos apenas o módulo um de educação financeira. No novo ano, colocaremos em prática os módulos dois e três", adianta o superintendente.

Os novos módulos serão mantidos como projeto-piloto em 2011. "Mas o primeiro módulo já deverá entrar em novas escolas", completa Vasco.

A Enef também quer atingir o público adulto. Esse projeto é mais embrionário, mas deve ganhar força em 2011, segundo os elaboradores da estratégia nacional.

"Já temos um curso presencial com carga horária de 20 horas para adultos sobre como gerir recursos", conta José Linaldo Gomes de Aguiar, secretário de relações institucionais do Banco Central.

A ideia, segundo ele, é levar o curso para mais lugares. "Empresas, ONGs, faculdades poderão nos chamar para dar o curso em suas dependências", sugere.

Na internet. Atividades online também devem ser expandidas para alcançar um número maior de adultos e crianças. A CVM, por exemplo, mantém o site portaldoinvestidor.gov.br, que contém diversas atividades para o público infantil além de testes e conteúdos explicativos sobre o mercado para os adultos. "Histórias em quadrinhos e interativas, vídeos com especialistas e informações sobre investimentos são alguns dos conteúdos disponíveis", emenda Vasco.

Os interessados em acompanhar a programação de educação financeira da CVM, que inclui as atividades do Comerec, podem seguir no Twitter o endereço: http://twitter.com/cvmeducacional.

Problema global. De acordo com Aguiar, a questão da educação financeira é um problema global. "O tema nunca foi objeto de preocupação em diversos lugares do mundo. Não é só no Brasil", afirma. Ele acrescenta que educação financeira não tem a ver com nível de escolaridade."

João Evangelista, chefe da divisão de atendimento ao público da secretaria de relações institucionais do Banco Central, completa dizendo que o Enef é uma política pública que tem por objetivo instituir diretrizes sobre o tema educação financeira. Segundo ele, com as diretrizes consolidadas, fica mais fácil estimular a disseminação do tema por outras instituições.

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