Aulas de mandarim para facilitar negócios

Empresários voltam à sala de aula para melhorar contato com os chineses

Luiz Guilherme Gerbelli, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2011 | 00h00

Não é para fugir da crise, mas para aproveitar os novos rumos da economia mundial que os brasileiros também voltam à sala de aula. Com a perspectiva em alta dos investimentos chineses no Brasil, o aprendizado do mandarim tem crescido entre os empresários. "Há dez anos tínhamos 40 alunos, mas hoje são cerca de 600", diz Liang Yan, vice-diretora do Centro de Língua e Cultura Chinesa (Chinbra).

De acordo com Liang, a procura por profissionais com conhecimentos em mandarim é tanta que as empresas contatam a escola em busca de executivos bilíngues. Um curso tem duração média de cinco anos. "Mesmo se o brasileiro souber falar um pouco, já vai fazer diferença na hora da negociação", diz Liang.

O intenso contato com os chineses obrigou o gerente de exportação da Italbronze, José Rodrigues Perez, a mudar de rotina há dois anos, quando voltou a estudar mandarim. Ele já havia feito um curso por seis meses, mas ficou longe dos livros por um ano. Agora, toda semana tem aulas particulares em casa e, de quebra, convenceu os filhos a também estudarem o idioma. "Trabalho com exportação e, por isso, tento agradar ao máximo os nossos clientes, que são principalmente os chineses", diz. Fluência, ele ainda não tem. "Mas, numa reunião, já consigo entender o que os chineses falam entre si."

A expectativa com os investimentos chineses é tanta que Jacareí, no interior de São Paulo, passou a oferecer aulas gratuitas de mandarim por causa da chegada das empresas chinesas Cherry e Sany. E a procura tem sido grande, com cerca de 160 pessoas à espera de uma vaga. "Falar o idioma deles é metade do caminho andado para conseguir um emprego nessas empresas", diz o prefeito Hamilton Ribeiro Mota.

No pico de funcionamento das duas fábricas, em 2013, ele acredita que deverão ser criados 4 mil postos de trabalho na cidade.

De olho nesse intercâmbio entre Brasil e China, algumas escolas de São Paulo já incluíram o mandarim na grade curricular. É o caso do Colégio Sidarta, que ensina o idioma desde 1998. "Todos os anos os nossos alunos também embarcam para a China para estudar o mandarim", diz a assistente de direção, Maria Aparecida Schleier.

No Colégio Humboldt, o mandarim é oferecido há três anos, só que o aluno pode escolher se quer ou não fazer o curso. São oferecidas aulas do ensino básico até o avançado.

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