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Aumenta a competição na telefonia

Entrada da Telefônica no Rio mostra como as operadoras, depois de trocarem de sócios, abandonaram feudos para disputar novos mercados

SABRINA VALLE / RIO, O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2011 | 03h04

A Vivo anunciou ontem a entrada em telefonia fixa e em internet para residências e escritórios no Rio de Janeiro, com o Vivo Fixo e o Vivo Box, os primeiros produtos resultantes da união da operadora móvel com a empresa espanhola de rede fixa Telefônica. A iniciativa marca a abertura de uma nova etapa na concorrência no setor de telecomunicações.

Na privatização, em 1998, cada concessionária recebeu outorga para atuação em uma região. A partir de 2003, todas obtiveram licença para operar de forma universalizada em telefonia fixa, mas só agora o mercado começa a se mover nessa direção, com a competição na banda larga, principal foco das operadoras, como motivador da entrada na telefonia fixa fora de suas áreas de origem.

O lançamento da Vivo/Telefonica no Rio, após a fusão das empresas, encerrada em agosto, marca a incursão da Telefônica no principal mercado da Oi.

"Vamos mexer com o mercado de telefonia fixa", afirmou o diretor-geral da Telefônica/Vivo, Paulo Cesar Teixeira. Até o início de 2012, o grupo passará a se chamar apenas Vivo.

A Oi prepara um movimento em direção oposta, para entrada no segmento fixo de São Paulo. Juarez Quadros, sócio da Orion Consultores e ex-ministro das Comunicações, acredita que o mapa do setor pode mudar. "Isso já era previsto no modelo de privatização. Está superatrasado, mas antes tarde do que nunca. A vantagem é que vai trazer uma ampla competição a partir do segundo semestre de 2012."

O analista do Santander Valder Nogueira também antecipa um aumento da competição, com a pressão da Vivo sobre a Oi. "A Vivo tem uma capilaridade fantástica de 3G. A empresa não vai querer ser líder de mercado em telefonia fixa, mas sim acessar um mercado que está à sua mão para aumentar receita."

A Oi prevê investimentos de cerca de R$ 5 bilhões no ano. "Na telefonia fixa, os investimentos estão voltados principalmente à expansão da cobertura e aumento da velocidade de serviços de banda larga fixa", disse, em nota.

A Vivo/Telefônica, que prevê R$ 6 bilhões em investimento este ano, focará primeiro em clientes próprios de celular que queiram aderir a um pacote com telefone fixo e/ou internet. Mas também vê forte potencial de crescimento nos municípios hoje não atendidos por internet a cabo.

O Vivo Fixo e o Vivo Box (com telefone fixo, web e wi-fi) foram lançados inicialmente em Porto Alegre e chegaram ontem a 19 cidades do Rio. A empresa quer chegar a meados de 2012 com serviço 3G em 2.900 municípios.

Outras companhias caminham para a integração de serviços. A Net está em mais de 100 municípios, na maior parte com banda larga, fixo e TV a cabo.

Algumas levam certa vantagem na disputa, diz Quadros. "A GVT vem nadando de braçada, sem o legado das redes antigas e já anunciando TV por assinatura em todas as regiões do País, menos na capital de São Paulo."

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