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Aumenta a oferta de crédito, com distorções

Entre abril e maio, o saldo de empréstimos bancários subiu 1,5%, puxado pelo crédito consignado de pessoas físicas, por capital de giro e financiamentos à exportação de pessoas jurídicas. A procura por crédito cresceu, mas acompanhada por distorções.

O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2013 | 02h07

A oferta de crédito continua dependendo mais dos bancos públicos, que elevaram os saldos de empréstimos de 2,2%, no mês, contra apenas 0,9%, nos bancos privados. É provável que os bancos privados estejam cada vez mais cautelosos nas concessões, temendo a inadimplência.

As operações de crédito consignado passaram a alimentar o otimismo do setor bancário em uma recuperação geral dos empréstimos. Enquanto o crédito em geral à pessoa física aumentou 16,4%, nos últimos 12 meses, até maio, em relação aos 12 meses anteriores, o crédito consignado apresentou expansão de 18,6%, no mesmo período (2,1% entre abril e maio). O saldo de operações consignadas passou de R$ 174,2 bilhões, em maio de 2012, para R$ 206,3 bilhões, no mês passado. Cerca de 60% das operações são feitas com servidores públicos, o dobro das realizadas com beneficiários do INSS, cabendo apenas R$ 17,2 bilhões a trabalhadores em companhias privadas.

Em média, o custo dos consignados oscila entre 22,3% ao ano, para servidores, e 29,8% ao ano, para os trabalhadores privados. É um custo inferior à média do crédito às pessoas físicas, de 36,7% ao ano, mas elevado para pessoas com renda estável. E é crescente o número de tomadores que usam o consignado para pagar despesas correntes. Estes fazem parte da população que mais compromete o futuro com dívidas. Em média, o consignado é tomado com prazo de cinco anos.

O governo festeja o fato de que o crédito volta a crescer, mas muitos tomadores só estão renegociando dívidas que não puderam pagar.

As modalidades que mais cresceram foram as do crédito direcionado, ou seja, financiamentos do BNDES, rurais e imobiliários. No caso do BNDES, os recursos vêm, em boa medida, de empréstimos do Tesouro, que transfere ao banco os recursos apurados com a venda de títulos da dívida pública, que rendem mais do que o BNDES cobra dos devedores. É uma conta que se agrava.

Afinal, o BC calcula que os juros ativos (pagos pelos devedores) estão em queda, enquanto os passivos (pagos a aplicadores) estão em alta. É uma situação estranha, só compatível com baixa demanda de crédito.

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