Aumenta disputa no setor têxtil entre Brasil e Argentina

Um novo round na disputa comercial entre o Brasil e a Argentina, que poderá ocorrer dentro de poucos dias, não deixa dúvidas de que a temporada de brigas entre os dois principais sócios do Mercosul teve início. Primeiro, foi a decisão da Organização Mundial de Comércio (OMC) contra a Argentina, em favor do frango brasileiro. Depois, veio a lei argentina contra o açúcar do Brasil. E, agora, chegou a vez de mais uma clássica disputa de outro setor polêmico: têxteis. Os principais representantes do setor estão trabalhando na formação da Fundação Pró-Tecer, integrada por toda a cadeia produtiva para defender a indústria nacional argentina. A informação é do diretor de TN&Platex, uma das principais empresas de fibra têxtil fiada do país, Teddy Karagozian. Ele afirma que existe uma pesquisa realizada pelas empresas argentinas que "prova a existência de dumping em alguns setores brasileiros porque possuem fortes subsídios". A idéia é levar esta pesquisa aos órgãos competentes e que a Justiça aplique barreiras anti-dumping aos produtos brasileiros. Karagozian quer limitar a importação de têxteis proveniente do Brasil: "não queremos que os brasileiros voltem a ocupar 50% de nosso mercado que está se recuperando", enfatizou explicando que a meta é de que os produtos brasileiros deste setor ocupem somente 20% do mercado do sócio. A indústria têxtil argentina é uma das que mais recuperou o espaço perdido nos 10 anos da conversibilidade, quando um peso valia um dólar. A desvalorização do peso foi a salvação desta indústria que começou a receber investimentos e aumentar a produção. O processo de substituição das importações pelo produto nacional e o aumento da competitividade para exportar ajudaram a indústria a ocupar, atualmente, 80% de sua capacidade instalada.

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