Clayton de Souza/AE
Clayton de Souza/AE

coluna

Thiago de Aragão: investidor estrangeiro vê como irreal promessa de Guedes de 4 privatizações em 90 dias

Aumenta número de empresas do setor automobilístico que negociam corte de salários

Medida, acompanhada de suspensão temporária de contratos, tenta evitar demissões em meio ao cenário de forte crise gerado pela pandemia de coronavírus

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

09 de abril de 2020 | 18h15

Começa a aumentar o número de empresas do setor automobilístico que querem  negociar com os sindicatos de trabalhadores a suspensão temporária de contratos de trabalho e redução de salários, conforme prevê a MP 936, que tem como um dos objetivos a manutenção de empregos em razão da crise causada pelo coronavírus.

Hoje, a Toyota propôs aos funcionários das quatro fábricas do grupo em São Paulo (São Bernardo do Campo, Indaiatuba, Sorocaba e Porto Feliz) a suspensão dos contratos por dois meses, a partir do dia 22, quando terminam as férias coletivas. Os salários serão reduzidos entre 5% e 20%, dependendo da faixa salarial.

Para quem ganha até R$ 3.115 não haverá alteração, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.  O maior porcentual de corte vai recair sobre os salários acima de R$ 25 mil. Amanhã, dia 10, os trabalhadores vão votar se aceitam ou não a proposta por meio eletrônico.

A Mercedes-Benz também vai iniciar negociações com os sindicatos do ABC, de Juiz de Fora (MG) e  Iracemápolis (SP) nos próximos dias, assim como a Volkswagen e Scania. Na quarta-feira, o presidente da Volkswagen, Pablo Di Si, se reuniu com dirigentes de todos os sindicatos onde o grupo tem fábricas para expor a situação da empresa nessa crise.

No ABC, duas empresas de autopeças, Delga e Kostal, quem empregam juntas cerca de 700 pessoas,  também estão com propostas nessa linha.  A General  Motors foi a primeira montadora a fechar acordo com seus funcionários, que também terão os salários reduzidos de 5% a 20% inicialmente por período de dois meses.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Wagner Santana, afirmou que, neste momento, é importante manter o isolamento dos trabalhadores para evitar a contaminação pelo coronavírus e defendeu as medidas de flexibilização.

“São propostas que normalmente não aceitaríamos, mas é preciso compreensão de todos os lados para garantir que vamos vencer essa crise”, disse. “Todos precisam abrir mão de seus dogmas para criar condições para que o trabalhador fique em casa.”

O sindicalista informou ainda que há um movimento no meio sindical para reivindicar que a parte a ser paga pelo governo aos trabalhadores no Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda  seja equivalente ao valor integral do salário desemprego, de R$ 1.813. A MP prevê o pagamento de 70% do valor a que o trabalhador tem direito.

Sem acordo

Já em São José dos Pinhais (PR), o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba – que representa os trabalhadores das quatro fábricas do complexo industrial da Renault –, informou a empresa  que “em consulta durante plenária, foi reprovada a possibilidade de colocar em ampla votação as medidas de flexibilidade”.

Segundo o Sindicato, a recusa foi porque a entidade quer primeiro encerrar as negociações em andamento do dissídio coletivo da categoria para depois avaliar a proposta de suspensão de contratos.

Em razão da negativa, a Renault – que afirma ter proposto condições superiores às estabelecidas pela MP – decidiu prorrogar até 3 de maio as férias coletivas de todos os funcionários. Antes, o retorno estava previsto para 14 de abril.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.