Aumenta o boicote ao cartão de débito

Padarias e farmácias podem engrossar o boicote aos cartões de débito que foi anunciado na semana passada por grandes redes de supermercado como Pão de Açúcar, Sendas, Wal Mart e Carrefour, em protesto contra as altas taxas cobradas pelas administradoras desse tipo de cartão. Segundo as redes, cada vez que o cliente usa os cartões Visanet/VisaElectron, Cheque Eletrônico e Maestro, é cobrada das lojas uma taxa que varia entre 0,5% e 5% do valor da compra, conforme o estabelecimento e o valor da operação.Por enquanto, farmácias e padarias aceitam normalmente o cartão. Mas, hoje, os diretores do Sindicato da Indústria de Panificação e Confeitaria do Estado de São Paulo (Sindipan) vão se reunir para discutir o assunto e na semana que vem vão conversar com os filiados da entidade sobre o mesmo tema. A Associação Brasileira de Redes de Farmácia e Drogarias (Abrafarma) também tem em sua pauta a reclamação sobre as altas taxas cobradas pelas administradoras."Existe um descontentamento geral sobre os valores cobrados", conta o presidente do Sindipan, Frederico Maia. "Estamos fazendo um levantamento para vermos quantas das operações realizadas em nossos estabelecimentos usam esse tipo de pagamento. Dependendo do resultado, vamos ajudar nesse boicote".Maia explica que empresários do setor estão preocupados com a possibilidade de as administradoras aumentarem a taxa cobrada em cada operação realizada para compensar a queda no faturamento provocada pela suspensão do uso do cartão de débito em redes de supermercados. De acordo com ele, a taxa paga pelas padarias, em média, é de 3% do valor da compra.O presidente do sindicato diz ainda que a opção por essa forma de pagamento está em expansão nas padarias e confeitarias. "Não podemos prejudicar o consumidor. Se não compensar suspender o uso desses cartões, temos de pensar em outras opções".Na Abrafarma, o assunto deve ser abordado na reunião mensal da diretoria, que vai acontecer após o Carnaval. Os diretores da entidade preferem não comentar o assunto enquanto não houver o posicionamento oficial, mas a entidade adianta que também estuda uma maneira de não prejudicar os consumidores que preferem pagar as contas com esse tipo de cartão.Pequenos e médios supermercados apreensivosEnvolvida diretamente no assunto, a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) promove hoje uma reunião para tratar do tema. A entidade vai tentar encontrar uma maneira de acalmar donos de pequenos e médios supermercados que também temem que as administradoras passem a cobrar mais por causa da suspensão dos cartões em grandes lojas.Dados da Abras mostram que 8,2% das compras feitas em supermercados são pagas com cartão de débito. O dinheiro é a forma de pagamento mais usada, com 32,2%. O cartão de crédito fica em segundo lugar, com 16,8%, e os cartões das redes em terceiro, com 10,8%. No comércio, os protestos ainda são discretos. O economista Marcel Solimeo, da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), acredita que, se houver mobilização, será setorizada. "Cada setor vai decidir separadamente".

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