Aumenta o nervosismo nos mercados

O mercado assiste com cada vez mais apreensão o desenrolar dos fatos na Argentina. Em função do pacote econômico anunciado na sexta-feira, um dos partidos da aliança governista, o Frepaso, retirou seu apoio ao Presidente Fernando de la Rúa, que busca recompor sua base de sustentação com a Ação pela República, partido do ex-ministro Domingo Cavallo. Diante da incompatibilidade partidária, o ministro da Economia, Ricardo López Murphy, pediu demissão ontem à noite e os mercados devem reagir hoje à essa notícia. O temor de que o país não seja mais capaz de honrar seus compromissos internacionais leva investidores a fugirem dos papéis argentinos, prejudicando também os mercados brasileiros. O dólar ontem voltou a apresentar forte alta, contida apenas pelo leilão extraordinário de títulos cambiais pelo Banco Central, e acabou fechando em queda.Além da Argentina, que não deve sair do noticiário tão cedo, há outros fatos recentes de pressão no dólar. Uma das principais preocupações é a desaceleração da economia norte-americana, que afeta os investimentos estrangeiros no Brasil e também as exportações. Hoje será realizada a reunião do FED - banco central dos EUA - que decidirá o novo patamar da taxa básica de juros. Atualmente a taxa está fixada em 5,5% ao ano e espera-se que ela caia entre 0,5 e 0,75 ponto porcentual. O governo norte-americano espera estimular a economia do país com juros menores e já cortou os juros em um ponto porcentual desde o início do ano.No final de semana, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) decidiu cortar a produção diária dos países do cartel em um milhão de barris diários. Mesmo assim, o corte teve pouco efeito nos preços internacionais. Para o Brasil, se a perspectiva de alta se concretizar, afetará negativamente a balança comercial, que já sofre a pressão da interrupção na produção da plataforma P-36, responsável por 7% do petróleo nacional.

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