Aumenta tensão entre produtores rurais de MT e Polícia Rodoviária

É tenso o clima entre produtores rurais do Norte de Mato Grosso e a Polícia Rodoviária Federal (PRF). Cerca de 50 patrulheiros estão reprimindo a formação de bloqueios ao longo da BR-163, também conhecida como rodovia Cuiabá-Santarém. Ontem, dia 19, a polícia destruiu um acampamento dos produtores que estavam em um posto de gasolina, em Sorriso. A atitude revoltou os agricultores que prometem montar barricadas para impedir o tráfego de carretas com produtos agrícolas neste fim de semana. As manifestações dos agricultores complementam um mês amanhã. Num confronto ocorrido na quinta-feira, seis agricultores foram feridos e outros cinco foram presos. A PRF atirou bombas de efeito moral e deu tiros para o alto a fim de dispersar os agricultores. Um dos agricultores presos é Sidney Menegatti, de Ipiranga do Norte. Ele disse que os produtores rurais foram tratados ´como bandidos´ desde o momento da prisão até chegar no prédio da Polícia Federal, em Cuiabá. Depois de prestar depoimento o grupo foi liberado. "Esta ação absurda da polícia não vai desmobilizar o nosso grupo. A nossa luta continua. Voltando para a nossa região, daremos continuidade ao movimento "Grito do Ipiranga", afirmou Menegatti.O governador Blairo Maggi condenou a ação da PRF e disse que a Polícia Militar não vai se envolver nas manifestações nos municípios. Segundo Maggi, se o governo federal não resolver a crise da agricultura brasileira, a situação no interior do País poderá se agravar, "a exemplo do que aconteceu em São Paulo afora nos últimos dias". Maggi se referiu à onda de violência enfrentada pelos paulistas após ataques e rebeliões do Primeiro Comando da Capital (PCC), o que poderá vir dos agricultores. DiscriminaçãoO presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Luiz Antonio Nabhan Garcia, classificou de truculenta, repressiva e discriminatória a ação da polícia que tenta cumprir a ordem do juiz da 1ª Vara Federal de Mato Grosso, Julier Sebastião, que há oito dias determinou a liberação da rodovia em toda a sua extensão, desde Alto Araguaia até Guarantã do Norte. "Isso é autoritarismo e repressão e não vai ficar assim", afirmou Nabhan lamentando o ´tratamento diferenciado´ que é dado pela polícia a movimentos sociais como o MST.Em nota, a Federação da Agricultura de Mato Grosso (Famato) informa que vai entrar com uma representação para que a Superintendência da Polícia Rodoviária Federal abra uma sindicância para apurar os fatos. Os policiais que participaram da ação poderão responder processo por danos morais. Também em nota, a PRF informa que vai cumprir a decisão da Justiça Federal, que é fazer os desbloqueios das rodovias federais que ligam Mato Grosso às regiões Norte, Sul, Sudeste Centro-Oeste.

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