Aumentam bloqueios em terminais portuários na Argentina

Trabalhadores portuários em greve mantinham bloqueados na segunda-feira os principais terminais do maior complexo exportador de grãos da Argentina, agravando um conflito que afeta as operações das empresas do setor.

NICOLÁS MISCULIN, REUTERS

29 de março de 2010 | 14h07

Eles exigem uma alta das tarifas e de salários e a disputa, que dava sustentação aos futuros de Chicago, acontece no momento em que cresce o trânsito para o porto após o recente início da colheita de soja na Argentina, o terceiro maior exportador mundial do grão e o maior fornecedor de derivados.

Em uma ampliação do protesto que começou na semana passada, a Cooperativa de Trabalhos Portuários e o Sindicato Unido Portuários Argentinos (Supa) --ao qual estão afiliados os trabalhadores da cooperativa-- ampliaram os bloqueios à maioria dos terminais do porto de San Martín e Timbúes, nas cercanias da cidade de Rosario, província de Santa Fe.

"Estamos esperando que os terminais chamem e com certeza nos sentaremos outra vez para negociar. As negociações não foram cortadas", disse à Reuters o presidente da cooperativa, Herme Juárez.

O protesto impede o acesso ao Terminal 6 --de propriedade da Bunge e da Aceitera General Deheza-- além dos terminais da Cargill e os pertencentes à Toepfer, Nidera, Dreyfuss, Minera La Alumbrera e Noble.

O único terminal que não estava bloqueado era o da empresa Buyatti.

IMPACTO NAS OPERAÇÕES

A Cooperativa de Trabalhos Portuários pede às empresas exportadoras um aumento de tarifas de até 100 por cento em dólares, em meio a a uma safra de soja que deve chegar a um recorde entre 51 e 55 milhões de toneladas.

As empresas exportadoras ofereciam uma alta de 25 por cento na tarifa e um compromisso de elevá-la novamente em 15 por cento no próximo ano, mas até o momento a oferta não foi aceita pela cooperativa.

"Fizemos uma oferta mais do que razoável", disse uma fonte da indústria que preferiu não ser identificada.

A fonte disse que o conflito impede que as empresas de grãos embarquem mais de 200 mil toneladas por dia, o que já provocou perdas milionárias.

A disputa ocorre no momento em que analistas privados estimam que a inflação da Argentina será de entre 20 e 30 por cento em 2010.

Outros sindicatos no país avaliam medidas de força nos próximos dias para pedir altas salariais que compensem as perdas de poder aquisitivo devido à aceleração dos preços ao consumidor.

Os bloqueios portuários, que até a semana passada alcançavam apenas três terminais, levaram a um acúmulo de cerca de 5 mil caminhões nas imediações do porto San Martín, gerando um caos no trânsito.

(Com reportagem adicional de Maximiliano Rizzi, Maximilian Heath, Gabriel Burin e Walter Bianchi em Buenos Aires)

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