Coluna

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Aumentam os sinais de recessão

O Federal Reserve (Fed, o banco central americano)previu esta semana que não haverá recessão nos Estados Unidos no futuro previsível. O banco central acha que o Produto Interno Bruto poderá crescer tão pouco quanto 1,6% em 2008, mas está confiante de que o crescimento vai se acelerar depois disso.Essa previsão - a primeira do Fed alinhada com seus esforços para ser mais transparente - foi divulgada no mesmo dia em que o Departamento do Censo relatava uma desaceleração contínua dos inícios de construção. O número de casas novas sendo construídas é agora pouco mais da metade do nível de dois anos atrás.Se o Fed estiver certo, e a economia americana não entrar em recessão, com a taxa de desemprego praticamente sem aumentar, então teremos a primeira vez em todos os tempos em que uma desaceleração do mercado imobiliário dessa gravidade não coincide com uma recessão. A verdade é que nunca houve uma retração dessa magnitude sem uma recessão a caminho.As minutas da reunião de outubro da comissão de mercado aberto do Fed reconheceram que havia risco de recessão."Os participantes estavam preocupados com a possibilidade de feedbacks adversos em que a fraqueza da economia poderia levar a um maior endurecimento das condições de crédito, que poderia, por sua vez, desacelerar ainda mais a economia", reportaram as minutas, acrescentando que havia também um risco de "uma contração mais severa do setor imobiliário e uma queda substancial no preço das moradias".Mas o Fed observou também que, "nas últimas décadas, a economia americana se mostrou muito resistente a dificuldades financeiras episódicas, sugerindo que os efeitos adversos dos desdobramentos financeiros da atividade econômica fora do setor imobiliário poderiam se mostrar mais modestos que o esperado". A queda verificada nos números relativos aos inícios de construções tem sido rápida e súbita, particularmente de moradias unifamiliares. Essas oscilações violentas eram mais comuns décadas atrás, quando os aumentos das taxas de juro de curto prazo podiam bloquear depósitos para instituições de poupança, que, por lei, não podiam elevar em demasia as taxas de depósito. Isso dificultava muito a obtenção de hipotecas até as taxas caírem. As quedas de preços das moradias e os padrões de crédito mais rígidos podem estar tendo efeito similar agora.Os dados de mercado mostram também que a taxa de inícios de casas novas de agosto a outubro - quando a crise imobiliária se impôs - caiu 47% em relação aos mesmos meses de 2005.Desde o início dos anos 60, quando os dados se tornaram disponíveis, houve somente três ciclos em que os inícios de construção caíram em pelo menos um terço ante os dois anos anteriores. No primeiro mês com um tal declínio em cada um desses ciclos - janeiro de 1974, março de 1990 e janeiro de 1991 - , uma recessão estava a caminho.Já houve recessões sem impacto tão grande no setor imobiliário, a mais notável delas em 2001. Mas o mercado imobiliário nunca se comportou de maneira tão fraca sem uma recessão. *Floyd Norris escreve para o International Herald Tribune

Floyd Norris *, O Estadao de S.Paulo

27 de novembro de 2007 | 00h00

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