Aumentam pedidos de mais tempo para a Grécia

País irá cumprir suas metas de redução de déficit, mas enfrenta crescente tensão devido ao aprofundamento da crise 

Reuters

18 de setembro de 2012 | 10h20

A Grécia irá cumprir suas metas de redução do déficit nominal em 2012 mas enfrenta uma crescente tensão devido ao aprofundamento da crise, afirmou nesta terça-feira o ministro das Finanças, Yiannis Stournaras, conforme cresce a pressão sobre os credores internacionais para dar mais tempo a Atenas.

Estimando que até 2014 a economia grega terá encolhido 25% desde o início da crise, Stournaras disse que Atenas irá cumprir a meta de reduzir o déficit primário de 2012, excluindo custos de manutenção da dívida, para € 2 bilhões em termos nominais.

Mas ele disse que o dado de déficit primário alcançará 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB), comparado com uma estimativa anterior de 1%, devido à recessão. E ele repetiu um pedido para que a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional lhes deem mais tempo.

"Senão, existe um grande risco de prolongar as consequências negativas para a economia e a sociedade", disse ele em conferência em Atenas.

Falando em Pequim, Charles Dallara, negociador chefe que representa os credores do setor privado da Grécia, disse que o país deveria ter taxas mais baratas em seu acordo de ajuda de 130 bilhões de euros e, pelo menos, mais dois anos da UE e do FMI para pagá-los.

Mas termos melhores só podem surgir depois que Atenas mostrar resultados em seus compromissos de reforma fiscal, completou ele, que é diretor-geral do Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês.

"Uma vez que isso esteja feito, e eu estou confiante de que será, a Europa e o FMI devem agir rapidamente para ampliar o período de ajuste para, pelo menos, dois anos, e fornecer o modesto apoio financeiro adicional para que essa extensão seja efetiva", disse Dallara.

Ele acrescentou que as respostas para a crise da dívida grega concentraram-se demais em austeridade de curto prazo e não o suficiente em melhorar a competitividade do país no longo prazo.

Samaras, liderando um país no quinto ano de recessão num momento de alto descontentamento do povo, quer mais dois anos para implementar as reformas ligadas ao pacote de ajuda para amenizar seus impactos.

Atenas, onde a crise da dívida europeia começou há três anos, foi incentivada por uma decisão de dar a Portugal --também beneficiário de um pacote de empréstimo internacional-- mais tempo para atingir as metas fiscais, uma vez que a recessão tirou a capacidade de Lisboa de cumpri-las.

BCE

Dallara elogiou ainda o compromisso do BCE deste mês de lançar um programa potencialmente ilimitado de compra de títulos para diminuir os custos de empréstimo de países da zona do euro em dificuldade, numa tentativa de acabar com a crise da dívida, mas disse que havia risco de fracasso.

"O anúncio feito pelo BCE foi muito audacioso por um lado, mas se tornará zero, nada, a menos que Espanha ou Itália peçam a aprovação da UE e do FMI para um programa econômico", disse ele.

"Na falta de uma negociação de um programa de reforma que é aprovado pela Comissão Europeia, o apoio potencial massivo do BCE continuará apenas como potencial e não irá se materializar", afirmou.

A Espanha disse a ministros das Finanças da zona do euro na semana passada que irá determinar prazos claros para reformas estruturais até o final do mês, em uma ação que diplomatas europeus disseram que irá abrir caminho para um pedido de ajuda em breve para o país lidar com sua dívida.

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