Aumentar Selic é crime e 'paulada' contra investimentos, diz Abimaq

Reduzir as parcelas de financiamento, na opinião de presidente da Associação, ajudaria a controlar a inflação

Gustavo Porto, da Agência Estado,

27 de abril de 2010 | 11h22

O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Luiz Aubert Neto, afirmou, nesta terça-feira, 27, que um possível aumento na taxa básica de juros, a Selic, "é um crime que vai ser feito contra a área de investimentos". Aubert criticou o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, por ter cobrado uma "paulada" na taxa de juros, atualmente em 8,75% ao ano, e, sem citá-lo nominalmente, afirmou: "vai ser uma paulada nos investimentos".

 

Segundo o presidente da Abimaq, para cada 1 ponto porcentual de aumento na taxa Selic, de R$ 12 bilhões a R$ 13 bilhões são repassados ao sistema financeiro. "Não consigo entender que o Brasil, que já tem a taxa de juros mais alta do mundo, ainda opte pela transferência de renda para o sistema financeiro e perder a grande oportunidade de seguir no crescimento", disse. No mercado, as especulações apontam para um aumento de 0,50 a 0,75 ponto porcentual na taxa Selic, que alcançaria 9,25% a 9,50% ao término do encontro do Comitê de Política Monetária (Copom), amanhã (28).

 

Para o presidente da Abimaq, se o governo quiser controlar a inflação a saída seria reduzir as parcelas de financiamento, o que frearia o consumo. "É só cortar de 96 para 36 meses o número de parcelas que a inflação cairia", sugeriu.

 

Aubert, que está na Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação (Agrishow), lembrou que o faturamento do setor de máquinas e equipamentos em março foi recorde, ancorado pelas taxas menores oferecidas, por exemplo, pelo Programa de Sustentação do Investimento (PSI), de 4,5% ao ano, com previsão de aumento para 5,5% ao ano em julho. "Só tivemos recordes de faturamento e geramos mais empregos graças aos juros menores", disse.

 

Na Agrishow, a Abimaq divulgou que o faturamento nominal das empresas de máquinas e implementos agrícolas atingiu R$ 1,446 bilhão entre janeiro e março de 2010, alta de 29,3% sobre o faturamento de igual período do ano passado, de R$ 1,119 bilhão. As exportações cresceram 21,2% no mesmo período, para US$ 158,4 bilhões. O número de empregados no setor subiu 2,1%, para 43.667 trabalhadores em março de 2010, se comparado com os 42.755 em igual período do ano passado. Já o nível de utilização da capacidade instalada das indústrias do setor cresceu 6,4% ou 4,72 pontos porcentuais entre março de 2009 e de 2010, de 73,26% para 77.98%.

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