Aumento da capacidade puxa indústria

Pesquisa da FGV indicou que o investimento do setor deverá permanecer elevado durante todo o ano

Daniela Amorim / RIO, O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2011 | 00h00

A expansão da capacidade produtiva é o principal motivo para a realização de investimentos na indústria de transformação em 2011, segundo 36% das empresas ouvidas na Sondagem de Investimentos da Indústria da Transformação. De acordo com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), o resultado pode indicar que as taxas de investimento da indústria permanecerão em um patamar elevado este ano.

"É um bom resultado, é um dado importante, que muda um pouco a tendência do que os números estavam apontando até agora", afirmou Rogério César de Souza, economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).

Souza também ressalta que as empresas estão investindo para aumentar a competitividade.

Outras razões apontadas para a realização de investimentos produtivos foram o aumento da eficiência, apontado por 33% das empresas, e substituição de máquinas e/ou equipamentos, segundo 15% dos entrevistados.

No entanto, a sondagem mostrou que o aumento nas importações tem gerado incertezas sobre a demanda na indústria da transformação, inibindo os investimentos do setor em 2011. As atividades mais afetadas foram as de material elétrico e de comunicação, metalurgia, material de transporte e têxtil.

"Alguns desses setores estão se sentindo menos competitivos. A indústria automobilística, por exemplo, está sofrendo concorrência de automóveis asiáticos no mercado interno", disse Aloisio Campelo, superintendente de Ciclos Econômicos do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE), da FGV.

Por outro lado, os setores de celulose e papel, minerais não metálicos e matérias plásticas mostraram menos incertezas sobre a demanda. O setor de celulose e papel não estaria ameaçado pelas importações, enquanto os outros dois são ligados à construção, atividade em expansão. "Eles estão certos que o setor vai crescer, não têm preocupação com a demanda", explicou Campelo.

O número de empresas que apontaram alguma dificuldade para realizar investimentos em capital fixo manteve-se estável em relação a 2010: 33% do total. O principal fator inibidor de investimentos foi a carga tributária elevada, apontada por 42% das empresas, um aumento de 16 pontos porcentuais em relação ao resultado de 2010.

O porcentual de empresas que citaram as incertezas sobre a demanda como um inibidor de investimentos foi de 19%. Também foram mencionados a limitação de recursos próprios (34%), o custo de financiamento (33%) e a limitação de crédito (24%). Já o número de indústrias que declararam estar sem programa de investimento foi de 16% em 2011, contra 14% em 2010.

O levantamento é um recorte especial da Sondagem Conjuntural da Indústria da Transformação, que consultou 812 empresas entre os meses de abril e maio.

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