Aumento da demanda nos EUA e China sustenta alta do petróleo

O preço do petróleo, que na semana passada superou os US$ 40,00 por barril no mercado internacional, nível mais alto nos últimos 14 anos, dificilmente deverá recuar para US$ 30,00 nos próximos 12 meses, de acordo com Ramon Espinaza, consultor do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e um dos maiores especialistas latino-americanos na área de energia.Em entrevista à Agência Estado, por telefone de Washington, Espinasa disse que o grande componente do forte ajuste dos preços na atualidade é a demanda e não a oferta, como geralmente é citado pela maioria."A demanda precisa ser vista pelo lado da recuperação da economia mundial, puxada pelo crescimento dos Estados Unidos, e pela expansão econômica da China", lembrou o consultor do BID. Mesmo que o consumo chinês hoje seja de 8 milhões de barris por dia, explicou Espinaza, "esse volume representa 40% da demanda mundial, com o agravante de que a oferta de petróleo não cresceu".Oferta não aumentaDe acordo com o consultor, a oferta do Oriente Médio não aumentou. Ao contrário, caiu entre 1 milhão e 2 milhões de barris por dia com o conflito no Iraque. Além disso, acrescentou, "a oferta venezuelana também caiu quase 1 milhão de barris por dia, por causa da greve geral de pouco mais de um ano atrás, que quase paralisou o país". Ou seja, segundo Espinaza, a oferta mundial caiu praticamente 3 milhões de barris por dia e não foi compensada.Quem poderia compensar essa perda?, indaga a si próprio o consultor do BID. Segundo ele, a Arábia Saudita, que, por coincidência pediu hoje à Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) um aumento de 1,5 milhão de barris por dia na produção. "Essa solicitação deverá provocar um recuo no preço, talvez entre 3 e 4 dólares até o final do ano, montante nada significativo, já que tudo parece indicar que a demanda de petróleo é muito mais robusta do que a oferta", afirmou.

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