Aumento da inflação era esperado, diz Fraga

O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, afirmou que o aumento da inflação de janeiro já era esperado. O IPC-Fipe fechou o mês em alta de 0,57%. "Já se sabia que janeiro ia ser um mês pressionado, mas os fatores que fizeram a inflação ficar um pouco acima de 7% o ano passado tendem a desaparecer este ano", disse Fraga. Segundo ele, a expectativa do Banco Central é que a inflação neste ano fique em torno de 4%. Armínio Fraga disse, em entrevista ao Bom Dia Brasil, da TV Globo, que se a expectativa de queda de inflação no ano for se confirmando, isso vai contribuir para a redução dos juros. Ele afirmou, no entanto, que não dá para prever em quanto tempo isso poderá ocorrer. O presidente do BC lembrou que no ano passado a taxa de juros real, "pela primeira vez, em anos", ficou abaixo de 10%. "Eu creio que estamos construindo as condições para que isso passe a ser permanente", afirmou.?O Brasil vai deslanchar?O presidente do Banco Central admitiu que o cenário externo da economia "ainda não está essas coisas". Na opinião dele, a questão argentina é séria e grave e exige "sacrifícios enormes". Com relação à economia global, Fraga disse que começam a surgir sinais positivos, mas que ainda não há a sensação de ?pujança? que havia há um ano e meio atrás. "Aqui dentro, o que eu vejo na economia brasileira é realmente sinal de força. Por exemplo, no ano passado, um ano horrível do ponto de vista de choques externos, recessão global, energia, etc, tudo indica 2% de crescimento. Melhorando o ambiente internacional e resolvido um pouco essa questão da expectativa política, que gera uma certa ansiedade, o Brasil vai deslanchar", afirmou.BC independenteFraga reafirmou que seria bom para o País uma nova lei para o Banco Central, de forma a torná-lo mais independente. Ele disse também que se o presidente Fernando Henrique achar que ele deve ficar no BC na fase de transição do governo, aceitará com prazer. Ao ser questionado se ficaria num governo petista, Armínio Fraga disse que não acredita que nem o PT e nem outro partido sairia da política atual de investimentos na área social e controle na inflação. "Eu pretendo ficar até quando o presidente Fernando Henrique achar que eu mereço. Se passar a lei (do BC independente) eu topo ficar. O resto são hipóteses que prefito não discutir". ArgentinaArmínio Fraga acaba de voltar dos Estados Unidos e disse estar convencido de que o governo americano, o G7 e as principais lideranças financeiras do mundo estão buscando uma chance para ajudar a Argentina. "Não sei bem como seria o apoio, uma reestruturação do sistema financeiro e talvez também uma rede social de proteção, porque o desemprego que já estava muito alto deve ter aumentado", afirmou. "Eu voltei de lá um pouco menos pessimista. É claro que a resposta a essa crise tem de sair predominantemente da Argentina. Nós sabemos disso pela própria experiência no Brasil", observou. Para Fraga, o papel do governo brasileiro é criar estímulos que caminhem na direção de "uma virada" na economia argentina.O presidente do BC, disse também, que o problema que a Argentina enfrenta não é muito diferente do que o Brasil teve em 1999. "É mais grave do que o nosso, mas da mesma família". Para Fraga, a Argentina precisa criar um sistema monetário novo, definir melhor a trajetória futura na área fiscal e resolver o problema bancário. "A minha avaliação é de que eles vão sair gradualmente do chamado ´corralito´ e vão ao longo dessa saída procurar construir isso".

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